*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

VC LEU MICHEL FOUCAULT,NÃO?ENTÃO O QUE VC ESTÁ ESPERANDO FILHO DA PUTA?ELE É A CHAVE DA EVOLUÇÃO DOS HUMANOS.HISTORIA DA LOUCURA,NASCIMENTO DA CLINICA,AS PALAVRAS E AS COISAS,ARQUEOLOGIA DO SABER,A ORDEM DO DISCURSO,EU PIERRE RIVIÉRE,A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS,VIGIAR E PUNIR,HISTORIA DA SEXUALIDADE,EM DEFESA DA SOCIEDADE,OS ANORMAIS...EVOLUÇÃO OU MORTE!

Tuesday, December 12, 2006

PIER PAOLO PASOLINI.cuidado ao ler o texto,isso não é para pessoas comuns,é muito subversivo.suas obras são proibidas em muitos países.






De tão emblemática, a trajetória de Pasolini atinge as proporções de um mito. Não bastasse ter sido escritor, poeta, polemista, pintor e militante comunista, Pasolini realizou alguns dos mais belos filmes do século vinte. Seu cinema, longe da pirotecnia entediante das narrativas hollywoodianas, é cine-poesia, verdadeiras elegias líricas do corpo, do erotismo, principalmente homoerótico, e da liberação dos instintos.
Mas o mito de Pasolini não se restringe apenas à sua obra, cada vez mais revisitada, mas igualmente à sua vida, ou ainda, às circunstâncias obscuras de sua morte. Como Frederico Garcia Lorca, Pasolini teve uma vida intensa e uma morte suspeita. A versão oficial da estória nos diz que Pasolini teria sido assassinado por um garoto de programa chamado Giuseppe Pelosi nos arrabaldes de Ostia. As evidências do crime, no entanto, são pouco esclarecedoras.
Nascido em Bolonha, norte da Itália, em 1922, Pasolini viveu o regime facista, estudou literatura italiana na Universidade de Bolonha, publicou livros de poesia. Em torno de 46, se aproxima do Partido Comunista Italiano e participa das lutas dos camponeses de Friuli. Em 51, acusado de sedução de menores, muda-se com a mãe para Roma, onde é introduzido pelo escritor Giorgio Bassani no mundo do cinema. Continua a publicar poesia, auxilia Fellini no roteiro de Noites de Cabíria e, em 1960, estréia seu primeiro filme, Accatone. Sua inspiração inicial é o neo-realismo italiano, que sacraliza a vida humilde do subproletariado. Em 67, desiludido com o marxismo em crise e o neocapitalismo que toma conta da Europa, concebe um cinema de poesia que recupere a dimensão mítica da existência. Dessa concepção surgirão pérolas como Édipo Rei, Medéia, Pocilga e Teorema.Clássico entre tantos, Teorema trata de um anjo atraente e pertubador, na pele de Terence Stamp, que destrói, pouco a pouco, a ordem de uma família tipicamente burguesa. O anjo seduz a esposa, o filho, o pai, desestruturando toda a moralidade familiar da sociedade neocapitalista.
Em 1970, Pasolini inicia a Trilogia da Vida, verdadeiras obras primas do erotismo poético. Decameron, Os contos de Canterbury e As Flores das mil e uma noites serão genuínas representações de um Eros primitivo que subverteria as convenções morais do capitalismo tardio. Pasolini é acusado de pornografia e obscenidade ao retratar corpos nus, principalmente masculinos, em toda a beleza e exuberância libertas. Tal ousadia não será perdoada nem pela esquerda moralista.
Atlético e vaidoso, Pasolini não escondia seu fascínio pela figura dos ragazzi ou puer, o jovem e belo adolescente, uma tradição homoerótica que remonta aos poetas latinos e gregos da antiguidade.
Ironicamente, a Trilogia da Vida, pelo sucesso de público, estimulará, por vias tortas, a nascente produção de filmes pornográficos na Itália. A liberdade erótica de Pasolini se mostra ilusória. Diante da autofagia agressiva da cultura de massas, que transforma o erotismo em pornografia e os corpos em mercadoria de consumo, Pasolini, desiludido, troca a representação idealizada do sexo por uma visão denunciadora da violência que atinge indiscriminadamente as mentes e os corpos, sob a égide do neocapitalismo. Eros vira Thanatos. É quando Pasolini filmará sua obra mais radical, testamento e aviso. Saló ou os 120 dias de Sodoma, de 75, supera qualquer coisa que tenha sido feita antes dele em termos de transgressão estética e moral. Baseado na obra do Marquês de Sade, Pasolini retratará os vícios e excessos de poder de um grupo de fascistas na pequena república de Saló. Alegoria sinistra do fetichismo da sociedade de consumo, Saló será sucessivamente proibida em diversos países, inclusive o Brasil, condenado como desvalada pornografia. Ainda hoje é proibida em países como a Australia.
O paroxismo da violência em Saló terá seu equivalente e clímax com o assassinato, no mesmo ano de 1975. As dúvidas permanecem. Pedaços de madeira com sangue encontrados no local e o depoimento contraditório do acusado dão margens a muitas interpretações. Por quê Pelosi assumiu a responsabilidade exclusiva por sua morte quando havia evidências da participação de terceiros? Por quê a justiça italiana se contentou com a versão do michê, não avançando na investigação? Suspeitas políticas foram igualmente levantadas devido à sua constante diatribe com a direita e a esquerda. O caso permanece insolúvel até o momento e a conspiração do silêncio levou ao desaparecimento e morte de outras pessoas que tentaram se aprofundar na investigação. O caso é tão sério que gerou um filme recente sobre o assunto, Pasolini : Um delito italiano, de Marco Tullio Giordana.
Mas o mito está mais vivo que nunca, seja pela reabertura das investigações, seja pela crescente apreciação de sua estética livre e poética, que já inspirou vários cineastas a recuperar o que seria uma visão pasoliniana do sexo, sejam eles Derek Jarman (The Garden seria o exemplo mais próximo), as produções mais recentes da dupla siciliana Daniele Cipri e Franco Maresco, cuja mistura de depravação e surrealismo causou certo rebuliço em festivais de cinema europeus e americanos, ou ainda produções como Nerólio e Speed Boys (passado aqui no Mix Brasil).
Em nossa época "politicamente correta" de visibilidade gay e aparente aceitação social, a sexualidade liberta e intensamente vivida de Pasolini já não representa mais nenhum perigo. Permanece sua aguda visão do fetichismo consumista do capitalismo avançado, que de fato engoliu todas as sexualidades, alternativas ou não. Comunista ainda que pouco ortodoxo, é bastante provável, porém, que Pasolini recusasse o atual modelo do gay consumista, adaptado e conservador, totalmente assimilado à ordem do capitalismo global. Mas sua rebeldia tem igualmente voltado à tona. Bruce Benderson, escritor gay muito conhecido nos EUA e protegé de Camille Paglia, tem falado de um retorno ao outsider. Seu livro Towards a new Degeneracy (Por uma nova Degeneração, de 1997), que gerou alguma polêmica no meio intelectual americano, propõe justamente uma recuperação da figura do ser à margem da sociedade, da sexualidade desviante, do modus vivendi dos “rapazes da vida” e dos excluídos em geral, nessa nossa nova ordem globalizada. Por outro lado, movimentos como o inglês Queeruption e gays anarquistas têm se mobilizado na luta coletiva dos movimentos anti-globalização. Fica a questão: Seremos capazes de transpor o tabu que Pasolini representou com seus filmes? Suas elegias líricas de amor rebelde e a ácida crítica do consumismo estão aí para nos desafiar.

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