*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

VC LEU MICHEL FOUCAULT,NÃO?ENTÃO O QUE VC ESTÁ ESPERANDO FILHO DA PUTA?ELE É A CHAVE DA EVOLUÇÃO DOS HUMANOS.HISTORIA DA LOUCURA,NASCIMENTO DA CLINICA,AS PALAVRAS E AS COISAS,ARQUEOLOGIA DO SABER,A ORDEM DO DISCURSO,EU PIERRE RIVIÉRE,A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS,VIGIAR E PUNIR,HISTORIA DA SEXUALIDADE,EM DEFESA DA SOCIEDADE,OS ANORMAIS...EVOLUÇÃO OU MORTE!

Thursday, January 04, 2007

A INQUIETUDE DA ATUALIDADE:Entrevista com Michel Foucault.

Vinte anos depois da sua morte, o pensamento de michel foucault é mais revolucionario do que nunca,jamais um pensador levou o pensamento humano tão longe.. A loucura, a medicina, a exclusão, o direito, o liberalismo, a sexualidade são temas que continuam sendo debatidos, hoje, e a referência a Foucault é inevitável. “Nossa visão do mundo permanece ligada ao trabalho de Michel Foucault. Nosso olhar sobre a loucura e a exclusão depende, em grande parte, do seu livro Histoire de la folie à l’âge classique (História da loucura na era clássica). A crítica contemporânea da ciência, as questões que nós lhe colocamos sobre as suas condições de possibilidade e sobre suas relações com certas estruturas de poder, se inscrevem nas dobras dos seus livros Les Mots et les Choses (As palavras e as coisas) e L’archéologie du savoir (A arqueologia do saber). A questão do direito, da justiça e da punição tem que fazer as contas com o livro Surveiller et punir (Vigiar e punir)” – escreve François Ewald na revista Magazine Littéraire, de outubro, que tem como matéria central Michel Foucault, une éthique de la vérité (Michel Foucault, uma ética da verdade). Enfim, como dizia Michel Foucault, “lutar contra o poder, lutar para o fazer aparecer e o desvendar lá onde ele é mais invisível e mais insidioso” é também o trabalho que nos cabe continuar no momento atual.Entrevista com Michel Foucault:realizada em junho de 1975 por Roger-Pol Droit e publicada no jornal Le Monde de 19 e 20 de setembro de 2004. A entrevista ajuda a compreender o pensamento de Foucault.Em 1972, com Gilles Deleuze, você inaugurou, na revista L’Arc, uma nova concepção da própria noção de poder e uma nova análise das relações entre “os intelectuais e o poder”, para retomar o título dessa entrevista que fez sucesso. Como nasceu esta iniciativa? Ela se situava numa conjuntura precisa, que de bom grado eu chamaria de a “grande cobertura marxista”, a qual sempre pesou e que, naquele momento, pesava sobre os discursos e as práticas nascidas em torno de maio de 1968. Não se encontrava justificativa para todas essas ações, senão numa referência constante e respeitosa ao marxismo e à sua “cientificidade”. Tornou-se, pois, necessário, ao nosso ver, fazer-se outra coisa... E isso não podia, de maneira alguma, ser pura e simplesmente uma crítica do marxismo: ela nos reconduziria exatamente ao mesmo circuito reverente! Tratava-se, antes, de marcar ser ela verdadeiramente a coisa a pôr em questão, o alvo que estava em jogo em todas as suas formas de luta. Pareceu-nos que se tratava das relações de poder, do exercício dos poderes. Sem dúvida, este ponto não é estranho às análises de Marx, mas ele implica, não obstante, numa descentralização importante que permitiu restituir o sentido e a direção de toda uma série de ações que eram realizadas naquele momento. Com Deleuze, antes que um debate, era, no fundo, uma partida que nós jogávamos em comum. Jogávamos um para o outro a bola, sempre sobre o tema: “Como você tem razão!... mas você tem ainda mais razão do que lhe parece, porque...” Encadeava-se, assim, o jogo, recomeçando todas as vezes do ponto onde havíamos chegado. Como você descreveria as mudanças ocorridas no papel dos intelectuais nesses últimos tempos?Ser um intelectual antes da guerra ou imediatamente depois dela, era encontrar-se numa posição universalista, que permitisse ter sobre qualquer assunto um discurso, fosse qual fosse seu domínio de aplicação, a mesma sintaxe e a mesma semântica. Era, ao mesmo tempo, ser prescritivo e dizer: “Eis o que é preciso fazer”, “Eis o que é correto, e o que não o é”. Era igualmente ser profético e dizer: “Eis o que vai acontecer”. Encontravam-se sempre essa figura e essas características. Não estou seguro de que Sartre não tenha procurado outra coisa, mas tenho a impressão de que, de qualquer forma, ele se deixou envolver nesse papel. As pessoas de minha geração começaram a procurar outra coisa. Talvez não tivéssemos o talento, ou o gênio, como se desejaria, para ter esse discurso universalista. Talvez também as relações com o Partido Comunista se tivessem tornado demasiado difíceis. Em todo o caso, experimentaram-se ações em que os intelectuais não falam, finalmente, senão do que eles conhecem, de seu próprio lugar de experiência ou de competência, com tudo o que isso pode comportar eventualmente de limitado. Resiste-se o mais possível ao funcionamento do intelectual universalista que fala não importa de quê, que toma posição sobre a política iraniana ou sobre a crise do petróleo. Em lugar disso, tentou-se, antes, definir um intelectual regional, falando do seu lugar de experiência. Por que é ele o seu lugar? Porque esta foi a sua vida, ou porque o seu corpo está aí confinado. Então, nada de função universalista. E a função prescritiva do intelectual, essa postura normativa que lhe faz enunciar, digamos, o bem e o mal, pertence sempre, segundo seu ponto de vista, aos novos papéis que você descreve?Absolutamente. Ao meu ver, o intelectual não deve fazer valer o seu discurso sobre o dos outros. Ele procura antes dar lugar ao discurso dos outros. Isso não quer dizer que ele deva calar-se, pois então se cairia no masoquismo... Seu papel é o de abrir possibilidades de discurso e de misturar o seu aos dos outros, de entrelaçar o seu discurso com o dos outros, como num suporte. O intelectual também já não tem mais uma função profética. Em vez de perguntar-se: “O que vai ser isso?”, "Para onde é preciso ir?”, procura-se antes pôr questões ao presente: ”O que se passa?”, "Quem somos nós?” Em vez de dar um assobio de chamada e pôr todo mundo em fila para proclamar: “Eis o objetivo!”, é melhor procurar compreender o que se passa atualmente, o que nós fazemos, quais são as relações de poder que passam através de nós sem que nós o saibamos, qual é, pois, o acontecimento que nós constituímos, ou melhor, do qual somos os tolos: e é ainda melhor interrogar-se: “Quem somos nós, a ponto de sermos enganados?”, “Onde estão as ciladas?”, etc. Para mim, o que hoje constitui os intelectuais, é esta inquietude da atualidade. Nós somos antes jornalistas do que profetas, mas jornalistas de nós mesmos. Eis as funções que se procurou desencadear. Quais são os novos domínios onde se exercem essas novas funções?Veja as pessoas que se bateram pela liberdade do aborto: médicos, e também as mulheres que assumiram mais responsabilidades, que se expuseram, que eram a maioria dos professores, dos artistas, dos intelectuais. Veja o movimento da antipsiquiatria: se o que se passou no interior dos muros do asilo efetivamente pôde ter lugar, é porque houve uma espécie de discurso do intelectual que tornara possível que essas palavras dos internados fossem consideradas como discursos, ou seja, outra coisa a mais do que gorgolejos ininteligíveis e desqualificados. Veja as lutas em torno da homossexualidade, e com mais forte razão da sexualidade em geral; jamais os intelectuais foram tão fecundos, tão próximos em seus discursos daquilo que se diz na realidade. Finalmente, essa nova cena concerne ao corpo, ao habitat, à sexualidade, à família, ao cotidiano... Você ainda não mencionou as prisões. Nesse domínio, se desenrolaram lutas nas quais você tomou e continua a tomar parte ativa. Como se distinguem, sobre a questão das prisões, as antigas e novas modalidades dos intelectuais?Eis efetivamente uma questão sobre a qual os intelectuais não cessaram de intervir, ou, em todo o caso, de abrir o olho, após o fim do século XVIII. Eles desempenhavam diversos papéis. Primeiramente, eles podiam dizer: “Escutai, como intelectual, ou seja, homem da universalidade, eu posso garantir-vos que essas pessoas – que evidentemente não têm o direito à palavra, e não podem ter este direito, já que são delinqüentes – têm, não obstante, até um certo ponto, razão em sua revolta, sua indignação, seu desespero, e eu garanto, por mim, como homem de valor em geral, o valor particular de tal ou tal de seus gritos.” Uma outra função era a de dizer o seguinte: “Elas, essas pessoas perdidas no fundo da mina, no buraco em que elas estão, não podem compreender muito bem tudo o que se passa ao seu redor e através delas. O sentido histórico, ou filosófico, ou político, sou eu que vo-lo digo Eu vou, pois, falar em seu lugar. Enfim, o intelectual podia tomar a iniciativa de dizer: “Para que o sistema punitivo funcione devidamente, ele deve satisfazer tais e tais exigências.” Todos esses discursos eram discursos de caução. Eles davam a garantia, o sentido, a prescrição. O que se tentou fazer, a propósito das prisões, era completamente diferente. Tratava-se de entrecruzar discursos, dos quais nenhum era privilegiado. Nós não nos calávamos, não porque se tratava de um detido que falava, nós não lhe reconhecíamos o direito de fazer-nos calar, mas nós também não nos reconhecíamos o direito de falar em seu lugar. Pareceu-nos que o fato de estarmos no exterior não era para nós nem qualificação, nem desqualificação. Era uma posição em relação à prisão, uma posição permitindo falar da prisão, sem falar em seu lugar. O fato de conhecer outros domínios, como, por exemplo, os asilos psiquiátricos, ou ainda, a história da instituição penal, podia ser um importante instrumento de luta, que permite rever processos, linhas de força, pontos de fraqueza, etc. Não se estava muito seguro em fazer valer este saber como “a verdade” do que os outros diziam na prisão, mas também não se podia fazê-lo calar como um saber irrisório, burguês, abstrato, puramente teórico, extraído dos livros... Afinal, os livros também existem... Tratava-se de fazer interferir tudo isso, a fim de dar uma possibilidade aos prisioneiros de chegarem ao discurso. . Os prisioneiros falam, exprimem-se, podem mesmo fazer-se entender... Então, o que significa exatamente “aceder ao discurso”?Os fatos de discurso e os direitos ao discurso não são repartidos da mesma forma. Uma realidade como aquela da loucura e do confinamento, como a da prisão e da delinqüência, não podia ser senão desqualificada ou reduzida ao silêncio. Nossa função não era a de tornarmo-nos recuperadores compassivos dessas pessoas sem voz e de fazê-las possuidoras do mesmo discurso que nós. Nós tínhamos que desfazer a ordem do discurso, de maneira que a pluralidade dos discursos entrasse em sua guerra, eu diria “natural”. Nós trabalhávamos pelo direito à guerra dos discursos, não por sua absorção na unidade em que cada um se reconhecesse. Evidentemente, os prisioneiros falam, e eu não digo que eles não falam, mas que o que eles dizem não entra no sistema dos discursos. Entre “o que se diz” e “o discurso” eu estabeleço uma diferença. “O que se diz” é todo um conjunto de enunciados pronunciados absolutamente não importa onde, no mercado, na rua, na prisão, num leito, etc. “O discurso”, entre tudo o que se diz, é o conjunto dos enunciados que podem entrar no interior de uma certa sistematicidade e trazer consigo um certo número de efeitos de poder regulares. Nas prisões se falava, mas não se tratava de discursos. Os intelectuais vão, então, pôr-se a trabalhar o seu próprio discurso, de maneira tal que ele se ponha a falar com, contra, ou em face dessas cosias que se diziam e que não eram discursos... E a transformação teve lugar?Sim. As coisas ditas tornam-se discurso. Vocês me dizem: “São os intelectuais que agenciam esse discurso...” O belo negócio! O intelectual, numa sociedade, é, precisamente, o preposto ao discurso. O que vai se passar na ordem do discurso vai, de qualquer modo, dizer-lhe respeito. Ele será a favor ou contra, mas nada, finalmente, pode ser feito na ordem do discurso, sem que o intelectual intervenha nisso. Tomemos ainda um outro exemplo, o que eu chamaria de o “murmúrio da loucura”. Eles murmurejam, vocês os vêm em toda a parte. Não há psiquiatra que não possua toneladas de cadernos, de cartas, de manuscritos enviados pelos loucos. Nos arquivos da Bastilha, vocês ainda encontram este murmúrio da loucura, em maços inteiros, intactos desde o século XVIII. Mas essa massa permanece sem poder. Ela só tem a força do grito, sua violência, à qual responderá a violência do psiquiatra que fará calar o grito, metendo a pessoa num subsolo, para que ninguém a escute. Para que esse murmúrio se torne um discurso, o discurso da loucura, é preciso que ele possa obedecer a um certo número de regras, que não são simplesmente as da semântica e da sintaxe, mas as regras da aceitabilidade de um discurso num contexto dado. O fato, por exemplo, de que exista um certo número de analogias entre o discurso da loucura e o da prisão torna-se uma das condições para que esse discurso da loucura seja efetivamente entendido. Mas, uma vez ainda, enquanto tudo isso não funcionar como “discurso”, enquanto tudo isso permanecer simplesmente “coisas ditas” – murmuradas, suspiradas, gritadas... -, os efeitos de poder serão nulos. É necessário precisar ainda que não é porque essas coisas ditas se tornam discursos, que elas desencadeiam imediatamente efeitos de poder. Eu diria antes que, a partir do momento em que elas desencadeiam efeitos de poder, que elas entram na luta, obedecem a uma tática, possuem objetivos, designam inimigos, desqualificam um certo número de enunciados, então, por isso mesmo, elas se tornam discursos.
Esboço biográfico

1 Comments:

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