*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

VC LEU MICHEL FOUCAULT,NÃO?ENTÃO O QUE VC ESTÁ ESPERANDO FILHO DA PUTA?ELE É A CHAVE DA EVOLUÇÃO DOS HUMANOS.HISTORIA DA LOUCURA,NASCIMENTO DA CLINICA,AS PALAVRAS E AS COISAS,ARQUEOLOGIA DO SABER,A ORDEM DO DISCURSO,EU PIERRE RIVIÉRE,A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS,VIGIAR E PUNIR,HISTORIA DA SEXUALIDADE,EM DEFESA DA SOCIEDADE,OS ANORMAIS...EVOLUÇÃO OU MORTE!

Wednesday, November 21, 2007

Júlia Kristeva e o tempo sensível 21/11/07 por Ivanise Fontes.

O artigo resume algumas contribuições de Júlia Kristeva ao freudismo através de sua atenção particular ao sensorial.As condições da vida moderna reduzem o espaço psíquico gerando as “novas doenças da alma”. J. Kristeva defende uma reabilitação do sensível como princípio necessário diante da crescente incapacidade de representação das experiências. Sua análise da obra de Proust resgata a importância de busca desse “tempo sensível perdido”.
Autora de uma extensa obra, J.Kristeva vem se destacando comouma das pensadoras mais instigantesda psicanálise francesa contemporânea.Nossa intenção é partilhar com o leitor algumas de suas idéias. No dizer de Roland Barthes, ela sabe ser efervescente em vários sentidos:como presença e autoridade de pensamento.Cabe aqui uma breve biografia. Búlgara de origem, francesa por adoção (reside na França há mais de 30 anos), J. Kristeva é psicanalista, semióloga, romancista e professoradas Universidades de Paris 7 eColumbia, de Nova York. Atualmente dirige a Escola Doutoral de Línguas, Literatura e Civilizações da Universidade Paris.Alguns de seus livros têm tradução brasileira:Estrangeiros a nós mesmos, Solnegro. Depressão e melancolia (ambos pela Rocco); os romances Os samurais,O velho e os lobos (Rocco), Histórias de amor (Paz e Terra); o ensaio No princípio era o amor (Brasiliense) e, o maisrecente, Sentido e contra-senso da revolta– poderes e limites da psicanálise foi lançado este ano pela Rocco.O título desta obra foi tema de um de seus cursos na Universidade Paris (1994/95), cujas aulas foram transcritas por alunos e publicadas na França em dois volumes. O primeiro desses volumes nos chega agora. Sua forma de discurso direto nos dá a dimensão daeloqüência da mestra. Militante de maio de 68, J. Kristeva participou do movimento feminista dessa época e sempre esteve voltada para a questão política. Mantém sua visão críticados acontecimentos contemporâneos,o que revela em suas recentes publicações: As novas doenças da alma (Fayard), Contra a depressão nacional (Textuel) e O futuro de uma revolta(Calmann-Lévy).
CONDIÇÕES DA VIDA MODERNA REDUZEM O ESPAÇO PSÍQUICO:Segundo J. Kristeva, as condições da vida moderna com o primado da tecnologia,da velocidade, da imagem, reduzem o espaço psíquico – que corre até o risco de extinção. Aponta para a redução espetacular da nossa vida interior:“Fazemos economia dessa representação das experiências que chamamos vidapsíquica”.Daí a necessidade de se contrapor uma“cultura-revolta” à atual “cultura-diversão”,“cultura-show” que fazem parte de nossa sociedade do espetáculo (G.Debord).É contundente sua afirmação de que a vida psíquica só será salva se ela se der o tempo e o espaço das revoltas: romper,rememorar, refazer. É dentro dessa perspectiva que ela recupera o sentido de revolta como um retorno que visauma subversão, um deslocamento, uma mutação, desfazendo-se de seu sentido restrito de mera oposição. Essa revolta seria a lógica profunda de uma certa cultura que J. Kristeva quer reabilitar.Ela considera que a vida psíquica dohomem atual situa-se entre os sintomas somáticos (a doença e o hospital) e acolocação de seus desejos em imagens(o sonho diante da TV ou do computador).E que para além das diferenças entre esses novos sintomas temos umdenominador comum: uma dificuldade crescente de representação psíquica. As “novas doenças da alma”, os doentes deste início de novo século mostram uma incapacidade de ligar corpo à palavra, de nomear sensações. Ela menciona uma inibição do tempo sensível,por mais que possamos observar,paradoxalmente, uma exacerbação do tema do corpo.Acredita, então, que uma revalorização da experiência sensível faz-se necessária em termos justamente de conjugá-laa uma “cultura-revolta”. Uma das condições necessárias, segundo ela, à vida do espírito seria uma reabilitação do sensível.Tomando como base o pensamento de Hanna Arendt, J. Kristeva afirma que nossos contemporâneos estão inaptos ajulgar o bem e o mal e mergulham nasua banalização. Muitos não conseguem representar psiquicamente (palavras,imagens, pensamentos) seus conflitos e vão conseqüentemente ao vandalismo, às psicossomatoses, às drogas.É nesse sentido que cabe ressaltar a originalidade da contribuição de J. Kristevaao freudismo, já que propõe uma atenção particular ao sensorial, ao não-verbal. A psicanálise surge de seu ponto de vista como co-presença sexualidade-pensamento. Julga que Freudnos propõe algo diferente de um modelo de linguagem, na verdade um modelo de “significância”, bem mais abrangente,pressupondo a linguagem e seu substrato pulsional. Isso anuncia domínios fecundos de pesquisa para a psicanálise contemporânea.“A insistência sobre o sentido(sensação),a utilização da palavra erotizada na transferência são o sinal de reconhecimento essencial dessa aventura singular que é a descoberta freudiana”.
UMA PSICANÁLISE DO SENSÍVEL:A NOÇÃO DE EXPERIÊNCIA.Numa palestra de lançamento de seu livro O tempo sensível – Proust e a experiência literária tive pela primeira vez contato com seu pensamento e com o destaque que ela dá à noção de experiência.Retomando o ponto de vista filosófico, J. Kristeva vai redimensionaressa noção: “... a experiência marca um traço de união frágil, doloroso ou jubilatório do corpo à idéia, que torna caducas essas distinções.”A concepção de “experiência” implica,na tradição filosófica, uma co-presença com a plenitude do Ser, o que não quer dizer que o corpo esteja sempre incluído nessa perspectiva. Ao contrário, a dicotomia imaginada por Platão entre as idéias e o mundo sensível fez adeptos.É na República de Platão que Kristeva localiza a “cicatriz” da origem desse debate.Mas, na filosofia pré-socrática,podemos compreender a “experiência”através do papel essencial da sensibilidade(Fontes, 1999; pp. 143-147). A extraordinária concepção da alma como equilíbrio do corpo vivente vem provavelmente dos sofistas.A experiência adquire assim seu sentido.Ela é a possibilidade do ser humano sentir o mundo e dele tomar conhecimento,deixando-se penetrar pelas sensações. Segundo J. Kristeva, uma pessoa com “experiência” é aquela que reúne pensamento, afetividade, sensorialidade.Afirma: “... meus alunos seguem os professores que lhe fornecem informações,mas eles respeitam – e por vezes adoram – aquele que anima seudiscurso com uma ‘experiência’”. É,sem dúvida, o seu caso. E foi o que me fez acompanhar seu curso como dou toranda na Universidade Paris 7 e tê-la como referência teórico-clínica em minha tese sobre “A memória corporal e a transferência”.É dentro dessa noção de experiência que J. Kristeva vai incluir a experiência sensível e analisar a obra literária de Proust.A experiência proustiana nos leva ao “...tempo sensível de nossas memórias subjetivas”.Trata-se da busca infinita desse tempo perdido, desse tempo invisível.Proust faz ressoar a memória das sensações até as palavras e vice-versa. As sensações seriam a carne de nossa memória,assim poderíamos dizer.Desde o exemplo mais conhecido da“madeleine embebida no chá”, são inúmeras as passagens descritas em que o personagem principal revive a força deum choque sensorial que pode ficar em ligação permanente com o imaginário subjetivo, numa memória que podemos chamar de memória corporal. Proust refere-se a uma memória involuntária!Ele prossegue em toda sua obra nos inundando de tais sensações, nos fazendosentir esse gosto da infância. É em relação ao sonho que Proust privilegia as sensações, mais que as lembranças abstratas. Segundo ele, a intensidade das sensações banha e movimenta o sonhador.É como se houvesse um “segundo apartamento”.Nós estamos então lá, dentro desseapartamento recolhido da sensação indizível,uma câmera obscura que segundo Kristeva não é uma defesa contra a libido, mas os traços arcaicos de sua não-diferenciação, de sua fusão com o continente, desse ainda não-outro que o autista experimenta provavelmente à sua maneira.J. Kristeva denomina “caverna sensorial” essa experiência não informada ainda pela experiência cognitiva e, via de regra, rebelde a esta. É uma caverna sensorial desprovida de símbolos, constituída das “representações de coisa” e parte essencial da experiência psíquicade todo sujeito falante. Desde que consideremos ter uma caverna sensorial, podemos pensar que alguns de nós a vivem como uma catástrofe psíquica (os autistas são o extremo limite),outros tiram dela o gozo (as histéricas, no caso) e outros tentam a conduzir a um discurso.O autista permanece nesta caverna sensorial,de maneira trágica, em seu mundo de sensações extremas. Ele a fixa e a torna intraduzível. Nesse sentido, podemos dizer que Proust tem sucessoonde o autista fracassa. É na escrita, naarte da literatura, que ele reencontra otempo perdido, extrai o sentido (sensação)de seu apartamento obscuro,arranca-o do indizível, dá-lhe signo, sentidoe objeto. “Reencontrar a memóriaseria criá-la, criando as palavras, pensamentosnovos”.Se a sensação-percepção, domínio essenciale arcaico da experiênciapsíquica, não é reabsorvida pela linguageme permanece em todos os sujeitos,mais ou menos irredutíveis a ela, essairredutibilidade entre o sensorial e o cognitivonão é necessariamente vivida soba forma dolorosa do resíduo autista,mas sob outros aspectos cujo testemunho,entre outros, são a perversão, aarte e a psicanálise. Para J. Kristeva, aescrita é a terapia da caverna sensorial.Podemos traçar um paralelo entre o percursoproustiano e o analítico em buscade um tempo sensível, de uma memóriaem parte não simbolizada, nãorepresentada. O “tempo reencontrado”não seria simplesmente uma reconciliaçãocom o passado, mas umaconstrução: dar nome ao inominável.Tudo isso nos remete às sensações indizíveisde nossos pacientes modernos.Como tarefa do analista coloca-se entãoa “... sorte eventual de metabolizara auto-sensualidade inominável em discursoconciliável”.“Assim, a partir de fixações sensoriais,a análise trabalha de início os jogos sensoriais,depois as palavras – mas aspalavras-prazer, palavras-coisa, palavras-fetiche. Podemos chamar essanominação, à qual se lança o terapeuta,uma arte de fazer, a partir da carne dossignos, os objetos transicionais. No tratamentodas afecções narcísicas essaarte se impõe, mais do que no tratamentode qualquer outra. A coisificação dapalavra, sua fetichização, parece seruma passagem obrigatória da sensaçãoà idéia”.Dessa forma as palavras se alimentamdas sensações. Não são mais vazias, sãopalavras com temperatura, como nos dizChico Buarque em sua música Palavra.No trabalho analítico queremos encontrarpalavras capazes de nomear ossignos sensoriais, palavras que sejam elas mesmas atos sensoriais de significação.A aquisição de uma palavra quepossa devolver ao sujeito sua capacidadede representação psíquica é, comefeito, o princípio do tratamento psicanalítico.Não é suficiente, no entanto, dizer queo paciente em análise fez uma rememoração,uma repetição. Ele faz uma revolta, um retorno que visa um deslocamento,e para tal terá que entrar emcontato com seu tempo sensível.É dessa psicanálise que estamos falando.Uma psicanálise do sensível, ondeo substrato energético das pulsões, adeterminação do sentido pelo desejo sexuale a inscrição do tratamento natransferência (compreendida como reatualizaçãodos traumas psico-sensoriais)a constituam.Lembrando o título de um dos capítulosda obra citada de Kristeva sobreProust, onde ela se interroga: “É a sensaçãouma linguagem?”, pensamos terfornecido elementos para uma respostaa essa questão. E ter evidenciado a contribuiçãodessa analista no restabelecimentodo lugar do sensorial na teoria etécnica psicanalíticas.


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