*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

VC LEU MICHEL FOUCAULT,NÃO?ENTÃO O QUE VC ESTÁ ESPERANDO FILHO DA PUTA?ELE É A CHAVE DA EVOLUÇÃO DOS HUMANOS.HISTORIA DA LOUCURA,NASCIMENTO DA CLINICA,AS PALAVRAS E AS COISAS,ARQUEOLOGIA DO SABER,A ORDEM DO DISCURSO,EU PIERRE RIVIÉRE,A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS,VIGIAR E PUNIR,HISTORIA DA SEXUALIDADE,EM DEFESA DA SOCIEDADE,OS ANORMAIS...EVOLUÇÃO OU MORTE!

Thursday, January 31, 2008

Bush e o Irã:Não acerta nenhuma 31/01/08 AUTOR:Juan GELMAN

O objetivo declarado da recente visita de W. Bush a Israel e de seu giro por cinco países árabes do Golfo era contribuir à paz entre palestinos e israelenses. Mas não. O dirigente norte-americano pregou a necessidade de uma aliança EUA/Israel/Emirados Árabes Unidos/ Kuwait/Egito/Arábia Saudita/Bahrein contra “o perigo iraniano”. Fez algo mais que discursos: prometeu entregar-lhes armamentos no valor de 20 bilhões de dólares, e a mensagem é clara. Não é nova. O notável é como W. varia a escala de argúcias, que muda de maior a menor, para atacar Teerã.

Primeiro foi o perigo do programa iraniano de desenvolvimento de bombas nucleares, um estribilho que não cansou de repetir. E isso que aqui, em dezembro passado, a National Intelligence Estimate (NIE, por suas siglas em inglês), por acordo com os 16 serviços de espionagem norte-americanos estabeleceu que tal fato não existe. Disse a NIE: “Estimamos com um alto grau de certeza que Teerã interrompeu seu programa de armamento nuclear no outono de 2003… Estimamos com um alto grau de certeza que a interrupção dos trabalhos mencionados dura ao menos vários anos… Estimamos com um nível de certeza moderado que, em meados de 2007, Teerã não havia relançado seu programa de armamento nuclear… Estimamos assim, com um grau de certeza de médio a alto, que o Irã não possui atualmente armas nucleares” (http://www.odni.gov/, 17-12-07).



A razão desta bofetada que a CIA & Cia. desferiu em Bush é matéria discutível. Alguns opinam que seria a manifestação de um conflito entre “falcões-galinha”, que querem evadir-se à frente, e os chamados conservadores realistas –incluindo certos comandos militares– que estão fartos do pântano iraquiano. Seja o que for, W. viu-se obrigado a mudar de canal.Esgrimiu, então, o incidente naval no estreito de Ormuz: cinco lanchas patrulheiras iranianas aproximaram-se de um destróier, um cruzador e uma fragata da 5ª Frota estadounidense, que vigia as águas do golfo. Bush qualificou o fato de “grave”, e o avaliou como outra prova das intenções terroristas do Irã. No vídeo que o Pentágono preparou, observam-se as manobras iranianas e, em certo momento, escuta-se uma voz que ameaça em inglês ruim: “Vou por vocês… vão explodir… em poucos minutos” (AP, 8-1-08 ). A voz está só: nenhum ruído de ondas ou de máquinas a acompanha, como é habitual nas transmissões navais. Um pequeno detalhe, nada mais.

“Funcionários navais e do Pentágono disseram que o vídeo e o áudio foram gravados em separado e depois misturados”, informou o New York Times (10-1-08). “A lista daqueles que desconfíam do vídeo/áudio do Pentágono sobre as manobras agressivas de lanchas iranianas, que se aproximaram de navios norte-americanos no estreito de Ormuz, inclui o próprio Pentágono. Funcionários anônimos do Pentágono assinalaram que a voz ameaçadora do vídeo foi gravada separadamente das imagens e misturada com elas a posteriori…” (http://www.theledeblogs.nytimes.com/, 14-1-08). Desaparecia a possibilidade de voltar a montar o cenário do Golfo de Tonkin, quando, em 1964, três lanchas torpedeiras norte-vietnamitas supostamente atacaram o “USS Madox”. Foi o pretexto que a Casa Branca armou para intervir militarmente no Vietnã contra Ho Chi Min. O final é conhecido.


A questão é delicada: o Irã e os Emirados Árabes Unidos reclamam para si a metade das águas de Ormuz, e a franja de águas internacionais tem pequena largura ali. Pelo estreito passam os navios-tanques do Iraque, Irã e dos países árabes do Golfo para abastecer de petróleo os EUA e boa parte do Ocidente desenvolvido. Se a Casa Branca inventa outro Tonkin em Ormuz, o resultado seria catastrófico. Sem falar da enorme perda de vidas humanas: o preço do ouro negro poderia chegar a 200 dólares por barril, desataria-se uma inflação galopante, o sistema financeiro internacional conheceria seu desastre e voltariam, ao século 21, os tempos da grande depressão dos anos 30. Mas a resposta de W. ao relatório NIE foi taxativa: “O Irã foi um perigo, é um perigo e será sempre um perigo”. Não há cego pior do que aquele que não quer saber.



Durante seu giro, W. mudou novamente de canal: acusou o Irã de apoiar a insurgência iraquiana, os terroristas de Al Qaida e o Hamas. O primeiro é improvável: os governos do Irã e do Iraque são xiítas e firmaram acordos de segurança mútua. Teerã não esquece que o sunita Saddam Hussein lhe impôs uma longa guerra. Em relação à Al Qaida, seu ninho é o Paquistão, não o Irã. E Bush “se equivoca” quando fala do terrorismo de Hamas, um movimento armado e, pelo visto, popular: ganhou as eleições nos territórios palestinos ocupados. É mais que possível que Teerã o alimente por sua teimosa negação da existência do Estado de Israel. Farinha de outro saco.






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