*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

VC LEU MICHEL FOUCAULT,NÃO?ENTÃO O QUE VC ESTÁ ESPERANDO FILHO DA PUTA?ELE É A CHAVE DA EVOLUÇÃO DOS HUMANOS.HISTORIA DA LOUCURA,NASCIMENTO DA CLINICA,AS PALAVRAS E AS COISAS,ARQUEOLOGIA DO SABER,A ORDEM DO DISCURSO,EU PIERRE RIVIÉRE,A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS,VIGIAR E PUNIR,HISTORIA DA SEXUALIDADE,EM DEFESA DA SOCIEDADE,OS ANORMAIS...EVOLUÇÃO OU MORTE!

Monday, January 07, 2008

Estado de exceção e biopolítica segundo Giorgio Agamben 07/01/08 entrevista Jasson da Silva Martins


- Qual é a importância do pensamento de Giorgio Agamben para a filosofia e para a política contemporânea?Jasson da Silva Martins - Acredito que a principal contribuição de Agamben gira em torno da redescoberta da filosofia política em nova chave de leitura, melhor dito, com elementos históricos e conjunturais, mas, sobretudo, marcada pelos últimos acontecimentos históricos. Igualmente cabe ressaltar a importância de temas que ainda não foram completamente “elaborados”, como a relação entre direito/política, soberania/democracia, ciência/vida. Por fim, é importante “localizar” o pensamento de Agamben dentro do pensamento europeu.
- O que significa isso?Jasson da Silva Martins - Significa que o seu pensamento e fazer filosófico dizem respeito, em boa medida, à Europa. Se observarmos as suas grandes questões, elas dizem respeito muito mais aos europeus do que aos povos latino-americanos. Eventos que aconteceram na América, por exemplo, o genocídio de tribos indígenas no território dos Estados Unidos, a escravização dos negros e os regimes militares que ocorreram em toda América Latina, não são tematizados por ele. Considero importante ter isso em mente quando nos defrontamos com as suas reflexões mais universalistas. Mas, sem dúvida, ele é um pensador-chave para nos ajudar compreender os problemas conjunturais da nossa época. - Que tipo de relação podemos fazer entre a obra de Agamben e Walter Benjamin?Jasson da Silva Martins - É sabido que Walter Benjamin influenciou Agamben. Ele mesmo presta conta disso assumidamente. Acredito que as grandes teses de Benjamin ganham uma nova moldura, por assim dizer, dentro da obra de Agamben]. Foi ele quem organizou as traduções da obra de Benjamin na Itália. A principal contribuição, muito presente, no pensamento do filósofo italiano, acredito que seja no tocante à violência e ao direito. Agamben leva muito a sério a tese de Benjamin que versa sobre a origem e a legitimação do poder, na perspectiva do soberano.
- Que tipo de correlações você faz entre o estado de exceção e a biopolítica, utilizando o pensamento político de Agamben?Jasson da Silva Martins - Eu diria que é uma relação quase inevitável hoje em dia, dado o progresso da técnica e a complexidade do Estado. Para Agamben, o estado de exceção é a norma das atuais democracias e está intimamente ligada às práticas de governo, que, por sua vez, estão ligadas ao governo da vida e a “normalização” [no sentido de Georges Canguilhem]. É evidente que essa relação não salta aos olhos assim, sem mais. É preciso “ler” sob um novo viés essas relações que tem se tornado comum na política atual, como um todo. Por exemplo: toda essa preocupação (sobretudo aqui no estado do RS) com o aumento do número de jovens que são vitimados pelo trânsito, bem como a estreita relação desses acidentes com a bebida, não quer dizer que o governo esteja preocupado com a nossa juventude. Essa preocupação salta aos olhos pelos números apresentados pelas estatísticas dos últimos anos (ou seja, cientificamente) e o posterior custo que resulta de tais acidentes para os cofres públicos . Tudo isso confrontado com a imagem do Estado ou do país diante dos organismos internacionais (ONU, Unesco, Banco Mundial, OMC, OMS...). Essa tem sido uma prática política corriqueira, no que diz respeito às políticas públicas (inclusão, segurança e tantas outras) intimamente ligadas a um poder soberano que se respalda em alguma ciência (estatística, psiquiatria, economia, sociologia...), na qual é possível mascarar os verdadeiros interesses do poder soberano, com ar de cientificidade. Não estou levantando suspeita sobre nenhuma ciência, mas sobre a apropriação que o Estado faz dos resultados dessas ciências ou de seus métodos. Ou alguém, ultimamente, ouviu o Lula falar outra coisa a não ser confrontar números macroeconômicos? Isso mostra bem que a população é levada em conta pelo estado de forma apenas secundária. A presença mais intensa, a meu ver, de uma prática normalizadora é a aparelhagem da Receita Federal, onde o fisco suga cada vez mais os contribuintes e cada vez fica mais difícil fugir das garras do Leão. - A "profanação do improfanável" é a tarefa das gerações futuras? Como ela será, a partir do pensamento de Agamben, executada?Jasson da Silva Martins - Eu não diria que é das futuras gerações, pois o futuro dessas futuras gerações é o hoje, o presente. E o que nós temos? Nós estamos acordando dos arroubos de maio de 1968, por incrível que pareça. Agora nós (sobretudo no Brasil) podemos fazer um balanço de tudo àquilo que foi sonhado por aquela geração. Como é possível saber disso? Observando os efeitos práticos que não estavam explícitos naqueles sonhadores e fundadores de partidos. E o que vemos? Basta olharmos para o PT, a título de exemplo, um dos últimos guardadores da moral e da eticidade. Ele foi gestado naquela efervescência da década das revoluções. Seus fundadores ficaram inebriados com aquela bebida nova (sincretismo de ideologias), que jorrava de diversas fontes, mas as fontes secaram. Resta-nos investigar por quê? O pensamento de Agamben talvez nos peça mais cautela e mais acuidade, no julgamento dos fatos e mais criticidade na compreensão dos fatos históricos. Não vivemos mais numa época de efervescência. Hoje, os problemas são outros e requerem outra forma de abordagem e nesse sentido é possível sim profanar o culto dos nossos antigos ídolos (deuses). Como eu disse, é uma tarefa dessa geração, para garantir a possibilidade de existência de uma futura geração e isso é urgente. - Utilizando-se das obras de Agamben, quais são as áreas mais obscuras do direito e da democracia, atualmente?Jasson da Silva Martins - Essa é uma questão chave para Agamben ao remontar as teses benjaminianas. A questão de fundo está colocada na impossibilidade do direito limitar o poder soberano nos estados democráticos e, com isso, perder a sua legitimidade. Isso ocorre porque a própria conquista do poder é, por si, um ato que suplanta o direito e acaba por legitimá-lo. Ou seja, tanto o direito quanto a própria democracia vivem à mercê da vontade do soberano, o que é algo bem pontual que Agamben vem discutindo nas suas últimas obras. - O que há de Foucault, no conceito de Estado de exceção criado por Agamben?Jasson da Silva Martins - Precisamente sobre o estado de exceção eu diria que Agamben está mais próximo de Benjamin e em estreita aproximação com as teses de um jurista importante, que é Carl Schmitt. Em sua obra Homo sacer (1995) ele faz uma retomada dos temas levantados pelo filósofo francês, sob um viés mais político e filosófico e menos histórico e sociológico. Deboree Deleuze eu não saberia avaliar a importância dentro do pensamento político de Agamben. Por outro lado, essa influência pode ser expressa em outras temáticas debatidas por Agamben (estética, hermenêutica, literatura...). No pensamento político, acredito que não é tão expressiva assim. - Em sua opinião, a política contemporânea é, necessariamente, uma biopolítica?Jasson da Silva Martins - Eu estou inclinado a dizer que não. Mas se olharmos a prática política e como essa tendência tem crescido ultimamente, acho que não está de todo errado quem disser que ambas estão bastante próximas. Isso é mais visível quando a política deixa o debate de idéias de lado e passa a debater técnicas, em busca de atingir metas. Isso é lastimável, mas está tão próximo de nós que é preciso muita acuidade para fazer uma distinção mais rigorosa.







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