*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

VC LEU MICHEL FOUCAULT,NÃO?ENTÃO O QUE VC ESTÁ ESPERANDO FILHO DA PUTA?ELE É A CHAVE DA EVOLUÇÃO DOS HUMANOS.HISTORIA DA LOUCURA,NASCIMENTO DA CLINICA,AS PALAVRAS E AS COISAS,ARQUEOLOGIA DO SABER,A ORDEM DO DISCURSO,EU PIERRE RIVIÉRE,A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS,VIGIAR E PUNIR,HISTORIA DA SEXUALIDADE,EM DEFESA DA SOCIEDADE,OS ANORMAIS...EVOLUÇÃO OU MORTE!

Friday, January 04, 2008

Sobreviver em uma “prisão secreta” da CIA 04/01/08 por Amy GOODMAN

O programa de seqüestro e tortura do governo de Bush, com seus “vôos da tortura” a bordo de jatos privados e as "prisões secretas" da CIA, revelou-se um pouco mais nesta semana. Falei com Mohamed Farag Ahmad Bashmilah em sua primeira entrevista para televisão. Bashmilah foi vítima do chamado programa de “rendição extraordinária” da CIA, no qual pessoas são “detidas” em suas casas, em aeroportos, na rua, e são levadas, longe da vigilância do Congresso dos EUA, da imprensa, e longe do alcance dos tribunais, para países onde a tortura e os tratos cruéis são rotina.Bashmilah está sendo representado pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, por suas iniciais em inglês) e pelo Departamento de Direitos Humanos da Faculdade de Direito da Universidade de Nova York em um processo conjunto com outras quatro vítimas do programa de rendição extraordinária da CIA. Não interpelaram o governo dos EUA nem a CIA, mas uma companhia chamada Jeppesen Dataplan Inc., uma subsidiária de Boeing Corporation. Um ex- funcionário de Jeppesen, Sean Belcher, apresentou uma declaração juramentada em apoio a Bashmilah, na qual informava que o executivo de Jeppesen, Bob Overby, gabava-se da seguinte forma: “fazemos todos os vôos do programa de rendição extraordinária”, e continuava explicando ao pessoal que se referia “aos vôos de tortura”, e que eram muito bem pagos.Com a ajuda de um intérprete, através do telefone de sua casa no Iêmen, Bashmilah descreveu como iniciou seu calvário em 21 de outubro de 2003, quando foi preso em Amã, Jordânia: “Durou aproximadamente seis dias, mas o que suportei lá equivale a anos. Queriam que confessasse que tinha relações com alguns indivíduos da al-Qaeda. Tentaram que eu confessasse várias vezes, e cada vez que dizia a eles que não, me davam um pontapé, me esbofeteavam ou me ofendiam. Então disseram que se não confessasse, trariam minha esposa e a violariam na minha frente. E por medo do que poderia acontecer com minha família, gritei até desmaiar. Depois de recuperar a consciência, disse ‘por favor, não façam nada contra minha família. Cooperarei com vocês da maneira que queiram’ ”.Depois de assinar uma confissão falsa, disseram-lhe que iria ser libertado. Enquanto era conduzido pelas instalações da inteligência jordaniana, a venda que lhe cobria os olhos foi levantada. “Vi outro homem, que tinha aspecto ocidental. Era branco, um pouco gordo e usava óculos de sol. Compreendi então que provavelmente estavam me entregando à outra agência, porque, durante os interrogatórios a que os jordanianos haviam me submetido, uma das ameaças era que, se não confessasse, eu seria entregue à inteligência norte-americana”.Foi preparado para o transporte, foi completamente desnudado. “Começaram a me fotografar por todas as partes. Também começaram a me golpear nas costas e nos pés. E depois me colocaram em uma posição parecida à postura de prostração na oração muçulmana, que é semelhante à posição fetal. E, nessa posição, um deles meteu o dedo em meu ânus com violência. Doía terrivelmente, e comecei a gritar. Quando iniciaram as fotos, pude ver que estavam mascarados. Estavam vestidos de preto dos pés à cabeça, e também usavam luvas de cirurgião”. Bashmilah conta que lhe cobriram com um pano, que ficou com os olhos e os ouvidos tapados, que lhe puseram uma bolsa sobre a cabeça e auriculares para bloquear o ruído exterior. Foi trasladado em avião para Cabul, Afeganistão, onde esteve preso em isolamento durante quase seis meses. Acreditava que estava a cargo de americanos. “Alguns dos interrogadores se aproximavam de mim e me interrogavam na sala de interrogatórios, e me diziam: ‘Deverias te acalmar e te sentir tranqüilo, porque enviaremos toda esta informação para Washington’. E diziam que em Washington resolveriam se minhas respostas eram verdadeiras ou não”.Embora ficasse isolado de outros prisioneiros, conseguiu escutar alguns deles comentando que podiam estar na base aérea de Bagram. Bashmilah seguiu contando por telefone que era mantido acordado com música estridente, e que permanecia preso com grilhões, que somente retiravam durante os interrogatórios periódicos. Durante o tempo em que Bashmilah era interrogado e torturado, também era visitado por “psiquiatras”. “A terapia consistia principalmente em analisar meus pensamentos e tentar interpretá-los por mim, além de me dar tranqüilizantes”.Bashmilah tentou se suicidar três vezes e fez uma greve de fome, que foi interrompida de forma dolorosa quando lhe meteram um tubo pelo nariz para alimentá-lo forçosamente, foi negado a ele acesso a um advogado, assim como contatar com algum grupo de direitos humanos, e com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Para todos os efeitos estava desaparecido.Em cinco de maio de 2005 foi transferido para uma prisão no Iêmen, onde finalmente conseguiu se comunicar com sua família. A Anistia Internacional envolveu-se no caso. Foi libertado em março de 2006, sem que tenham sido apresentadas acusações por terrorismo contra ele.Mohamed Bashmilah afirmou que havia câmeras em suas celas e nas salas de interrogatório. Talvez seu calvário tenha sido registrado em vídeo. Esperamos que a CIA não destrua também essas gravações.

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