*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

VC LEU MICHEL FOUCAULT,NÃO?ENTÃO O QUE VC ESTÁ ESPERANDO FILHO DA PUTA?ELE É A CHAVE DA EVOLUÇÃO DOS HUMANOS.HISTORIA DA LOUCURA,NASCIMENTO DA CLINICA,AS PALAVRAS E AS COISAS,ARQUEOLOGIA DO SABER,A ORDEM DO DISCURSO,EU PIERRE RIVIÉRE,A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS,VIGIAR E PUNIR,HISTORIA DA SEXUALIDADE,EM DEFESA DA SOCIEDADE,OS ANORMAIS...EVOLUÇÃO OU MORTE!

Thursday, September 28, 2006

@S ZAPATISTAS E A OUTRA: OS PEDESTRES DA HISTÓRIA.Por Subcomandante Insurgente Marcos 27/09/2006 às 22:25

















Este escrito é pensado e dirigido para @s aderentes à Sexta e à Outra Campanha e, obviamente, a quem puder simpatizar com o nosso movimento.
@S ZAPATISTAS E A OUTRA: OS PEDESTRES DA HISTÓRIA. Introdução Este escrito é pensado e dirigido para @s aderentes à Sexta e à Outra Campanha e, obviamente, a quem puder simpatizar com o nosso movimento. As que aqui apresentamos, são parte das reflexões e conclusões que têm sido partilhadas com algumas pessoas, grupos, coletivos e organizações aderentes à Sexta Declaração da Selva Lacandona. Seguindo nosso "jeito" na Outra Campanha, primeiro ouvimos a palavra dest@s companheir@s e em seguida expusemos nossa análise e conclusão. A Comissão Sexta do EZLN tem se mantido atenta às opiniões e propostas de uma parte de companheir@s da Outra Campanha, no que se refere à chamada "crise pós-eleitoral", às mobilizações em vários pontos do país (particularmente em Oaxaca com a APPO, e no DF com AMLO [Andrés Manuel López Obrador]), e à Outra Campanha. Através de cartas, relatórios de reuniões e assembléias, na página eletrônica, em alguns casos em suas posições públicas e em encontros pessoais e de grupo, alguns aderentes têm se manifestado sobre estes pontos. Durante parte do mês de julho e de todo o mês de agosto, a Comissão Sexta do EZLN manteve reuniões multilaterais com alguns companheir@s aderentes de 19 estados da república: DF, Estado do México, Morelos, Michoacán, Querétaro, Tlaxcala, Puebla, Veracruz, Oaxaca, Guerrero, Jalisco, Hidalgo, Zacatecas, Nuevo León, San Luis Potosí, Colima, Nayarit, Guanajuato e Aguascalientes. Além disso, com organizações políticas e sociais presentes em vários pontos do país e com noss@s companheir@s do Congresso Nacional Indígena. De acordo com nossas limitadas possibilidades, mantivemos estas reuniões em locais d@s companheir@s da Outra na Cidade do México e nos estados de Morelos, Michoacán, Querétaro, Tlaxcala e Puebla. Não foi possível, nem desejável para nós, falar diretamente com tod@s @s aderentes. Isso deu lugar a que, em alguns lugares, nos acusassem de "excluir" alguns. Em relação a isso, dizemos que, na Outra Campanha, cabe a cada grupo, coletivo, organização ou pessoa decidir com quem se reúne da Outra, quando, como e com que agenda. Fazendo uso deste direito, a Comissão Sexta do EZLN ouviu e falou com quem aceitou o nosso convite. Contudo, ainda que se tratasse de reuniões privadas, nossas colocações não foram nem são secretas. Àqueles que nos escutaram amavelmente pedimos então que transmitissem a outr@s companheir@s de seus estados e unidades organizativas de trabalho, o que pensávamos enquanto Comissão Sexta do EZLN. Alguns del@s, com nobreza, concordaram e cumpriram isso completamente. Outr@s aproveitaram para acrescentar avaliações pessoais como se fossem do EZLN ou, em seus "relatos" editaram propositadamente o que haviam ouvido para dar uma versão tendenciosa do que colocávamos nas reuniões. Os temas destas reuniões foram: A situação nacional de cima, particularmente o aspecto eleitoral. A situação nacional de baixo, entre o povo que não é da Outra. A situação da Outra Campanha. A proposta do EZLN para "o que vem depois?" da Outra Campanha. Algumas das reflexões d@s companheir@s com @s quais nos reunimos estão agora incorporadas ao nosso pensamento, reflexão e conclusão. Contudo, é preciso deixar claro que o que comunicamos agora, e propomos, a tod@s @s noss@s companheir@s da Sexta e da Outra é responsabilidade única da Comissão Sexta do EZLN, e é como organização aderente à Outra que o fazemos. Àqueles que se sentiram excluídos ou marginalizados, nossas sinceras desculpas e nosso pedido de compreensão. Só de passagem, apresentamos uma breve resenha do que ocorreu no interior do EZLN e desembocou na Sexta Declaração, nosso balanço (que não pretende ser O balanço) a um ano da Sexta e da Outra, nossa análise e posição sobre o que acontece em cima e nossa proposta para os próximos passos da Outra. O que vamos apresentar aqui já passou por uma consulta, em suas linhas gerais, com @s comandantes do Comitê Clandestino Revolucionário Indígena do EZLN, de tal forma que não só representa a posição da Comissão Sexta como a da direção do Exército Zapatista de Libertação Nacional. Valeu. Subcomandante Insurgente Marcos. México, setembro de 2006. @S ZAPATISTAS E A OUTRA: OS PEDESTRES DA HISTÓRIA. Primeira parte: os caminhos para a Sexta. Setembro de 2006. De forma sintética, já que falamos muito sobre este tema, exporemos o processo que antecede a Sexta Declaração no interior do EZLN: 1. A traição da classe política mexicana e sua decomposição. No final de abril de 2001, depois da Marcha da Cor da Terra e do apoio de milhões de pessoas, do México e do Mundo, à causa do reconhecimento constitucional dos direitos e da cultura indígenas, a classe política em seu conjunto aprovou uma contra-reforma. Disso já falamos mais amplamente, agora sublinhamos só o fundamental: os três principais partidos políticos nacionais, PRI, PAN e PRD, deram às costas às justas demandas dos indígenas e nos traíram. Então algo se rompeu definitivamente. Este fato (cuidadosamente "esquecido" por aqueles que reclamam de nossas críticas à classe política em seu conjunto) foi fundamental para os passos do EZLN que vieram depois, tanto interna como externamente. A partir daí, o EZLN faz uma avaliação do que foi sua proposta, do caminho que seguiu e das possíveis causas desta traição. Através de análises públicas e privadas, o EZLN caracterizou o modelo sócio-econômico dominante no México como NEOLIBERAL. Apontou que uma de suas características é a destruição do Estado-Nação, e que inclui, entre outras coisas, a decomposição dos atores políticos, de suas relações de dominação e seus "jeitos". Até então, o EZLN havia acreditado que existia certa sensibilidade em alguns atores da classe política, particularmente os que se agrupavam em torno da figura de Cuauhtémoc Cárdenas Solórzano (dentro e fora do PRD) e que era possível, através de mobilizações e em aliança com este setor, arrancar dos governantes o reconhecimento de nossos direitos enquanto povos indígenas. Por isso, boa parte das ações públicas externas do EZLN foi destinada à interlocução com esta classe política, ao diálogo e à negociação com o governo federal. Pensávamos que os políticos de cima iam entender e cumprir uma demanda que havia custado um levante armado e sangue de mexicanos; que isso encaminharia o processo de diálogo e negociação com o governo federal a um final satisfatório; que assim poderíamos "sair" para fazer política civil e pacífica; que com o reconhecimento jurídico se teria uma "proteção jurídica" para os processos de autonomia que vêm ocorrendo em várias partes do México indígena; e que se fortaleceria a via do diálogo e da negociação como alternativa para a solução de conflitos. Erramos. A classe política em seu conjunto foi avara, vil, ruim... e estúpida. A decisão tomada naquele momento pelos três principais partidos políticos (PRI, PAN e PRD) demonstrou que as supostas diferenças entre eles não passam de simulações. A "geometria" da política de cima havia se transformado, não havia esquerda, nem centro, nem direita. Tão somente um bando de ladrões com espaço... e com cinismo em horário nobre. Não sabemos se erramos desde o início, se já por volta de 1994 (quando o EZLN opta pelas iniciativas civis e pacíficas) a decomposição da classe política já era um fato (e o chamado "neocardenismo" era só uma nostalgia de 1988); ou se nestes 7 anos o Poder havia acelerado o processo de putrefação dos políticos profissionais. Desde 1994, pessoas e grupos da então chamada "sociedade civil" haviam se aproximado de nós para nos dizer que o neocardenismo era honesto, conseqüente, e um aliado natural de todas as lutas populares, não só da neozapatista. Acreditamos que, na maioria dos casos, esta gente fez isso com boa intenção. A posição do hoje empregado de Vicente Fox, Cuauhtémoc Cárdenas Solórzano, e do seu filho, o patético Lázaro Cárdenas Batel (hoje governador de um Michoacán controlado pelo narcotráfico), na contra- reforma indígena já é conhecida. De mãos dadas com o depois chamejante coordenador da campanha de AMLO, Jesus Ortega, os senadores perredistas votaram uma lei que foi denunciada como farsa inclusive por organizações indígenas antizapatistas. Confirmaram-se assim as palavras de um antigo militante de esquerda: "o general Cárdenas morreu em 1988". Por sua vez, os deputados do PRD aprovaram na câmara baixa uma série de leis secundárias e regulamentos que consolidaram a traição. Só lembramos que, quando denunciamos publicamente esta atuação do neocardenismo, fomos atacados (caricaturas incluídas) pelos mesmos que agora dizem que, de fato, Cárdenas é um traidor (só que agora por não ter apoiado López Obrador). Claro, uma coisa é trair alguns indígenas, e outra bem diferente é trair o LÍDER. Naquele momento, nos chamaram de "sectários", "marginais", e disseram que, ao "atacar" Cárdenas "os zapatistas faziam o jogo da direita". Viu como soa? E agora o engenheiro se quer fazer de "esquerdista" e crítico de AMLO... enquanto trabalha para o inquilino de Los Pinos na comissão de comemorações do bicentenário da independência. Depois desta traição, nós não podíamos fazer como se nada tivesse acontecido (não somos perredistas). Tendo como meta a lei indígena, havíamos estruturado o processo de diálogo e negociação com o governo federal e chegado a acordos, havíamos construído uma interlocução com a classe política e havíamos chamado gente (do México e do mundo) a se mobilizarem conosco através desta demanda. Em nosso erro havíamos arrastado muita gente. É só. O próximo passo do EZLN não só não seria dirigido a falar e ouvir os de cima, mas sim entraria em confronto com eles... radicalmente. Ou seja, o passo seguinte do EZLN iria contra todos os políticos. 2. Luta armada ou iniciativa civil e pacífica? Depois do rechaço da Suprema Corte de Justiça da Nação aos protestos e inconformidades de várias comunidades indígenas pela contra-reforma, alguns intelectuais (vários deles nos reprovariam depois o fato de não apoiar AMLO e o PRD na luta pela cadeira presidencial) chamaram implicitamente à violência. Palavras mais, palavras menos, disseram que aos indígenas já não resta outro caminho (vejam-se as declarações e editoriais destes dias ? setembro e outubro de 2002). Um deles, hoje chamejante "intelectual orgânico" do movimento pós-eleitoral de López Obrador, festejou a decisão da Suprema Corte e escreveu que, então, ao EZLN só restavam dois caminhos: ou renegociar com o governo ou levantar-se novamente em armas. As opções que se colocam lá em cima (e que são apropriadas por alguns intelectuais "de esquerda") são falsas. Foi olhando para dentro de nós que decidimos não fazer nem uma coisa nem outra. Tínhamos então a opção da retomada dos combates. Não só tínhamos capacidade militar para fazê-lo, como também contávamos com a legitimidade para isso. Mas a ação militar é uma ação tipicamente excludente, o melhor exemplo do sectarismo. Nela estão os que têm os apetrechos, o conhecimento, as condições físicas e mentais, e a disposição não só para morrer, mas também para matar. Nós recorremos a ela porque, como dissemos então, não haviam nos deixado outro caminho. Além disso, em 1994, havíamos assumido um compromisso de insistir no caminho civil. Não com o governo, mas sim com as "pessoas", com a "sociedade civil" que não só apoiou nossa demanda como também participou diretamente de nossas iniciativas durante 7 anos. Essas iniciativas foram espaços para a participação de tod@s, sem outra exclusão a não ser a desonestidade e o crime. De açodo com a nossa avaliação, tínhamos um compromisso com este povo. De tal forma que o passo seguinte, pensávamos, deveria ser também uma iniciativa civil e pacífica. 3. A lição das iniciativas anteriores: olhar para baixo. Em 2001, enquanto a classe política transformava em lei a sua traição, nas comunidades zapatistas a delegação que participou da chamada "Marcha da Cor da Terra" trazia seu informe. Ao contrário do que se pode pensar, o informe não se referia primordialmente ao que havia se falado e ouvido com e dos políticos, dirigentes, artistas, cientistas e intelectuais, mas sim ao que havíamos visto e ouvido do México de baixo. E a avaliação que apresentávamos coincidia com a que haviam feito os 5.000 delegados da consulta de 1999 e os da marcha dos 1.111 em 1997. A saber, havia um setor da população que nos interpelava, que nos dizia "estamos apoiando vocês nas demandas indígenas, mas e nós?" E este setor era, e é, formado por camponeses, operários, funcionários públicos, mulheres, jovens. Sobretudo mulheres e jovens, de todas as cores, mas com a mesma história de humilhação, espoliação, exploração e repressão. Não, não lemos que eles pediram para levantar-se em armas. Tampouco, que esperavam um líder, um guia, um caudilho, um "raio de esperança". Não, lemos e entendemos que esperavam que lutássemos junto a el@s por suas demandas específicas, assim como el@s lutavam conosco pelas nossas. Lemos e entendemos que esta gente queria outra forma de se organizar, de fazer política, de lutar. A "saída" dos 1.111 e dos 5.000 havia significado "abrir" ainda mais nossos ouvidos e olhar, porque est@s companheir@s haviam visto e ouvido, DIRETAMENTE E SEM INTERMEDIÁRIOS, @s de baixo. Não só a situação de vida de pessoas, famílias, grupos, coletivos e organizações, mas também sua convicção de luta, sua história, seu "estou aqui". Era gente que nunca havia podido visitar nossas comunidades, que não conhecia diretamente nosso processo, que só sabia de nós o que a nossa palavra lhe havia narrado. E não era gente que estava no palanque das várias iniciativas nas quais @s neozapatistas mantinham contato direto com cidadãos e cidadãs. Era gente simples e humilde que ninguém escutava e que precisávamos escutar... para aprender, para tornarmo-nos companheir@s. Nosso próximo passo deveria fazer um contato direto com esta gente. E se antes havia sido para falar e para que nos escutassem, agora deveria ser para ouvi-l@s. E não para nos relacionarmos com el@s numa determinada conjuntura, mas sim a longo prazo, como companheir@s. Analisamos também que a delegação zapatista, quando "saía" para alguma iniciativa, era "isolada" por um grupo de pessoas: as que organizavam, as que decidiam quando, onde e com quem. Não julgamos se eram boas ou más, só o assinalamos. Portanto, a próxima iniciativa devia poder "detectar" estes "isolamentos" de início para evitá-los mais adiante. Além disso, querendo ou não, as "saídas" do EZLN haviam privilegiado a interlocução com um setor da população: a classe média letrada, intelectuais, artistas, cientistas, líderes sociais e políticos. Postos a escolher, na nova iniciativa teríamos que eleger entre este setor o dos mais despossuídos. E, se tínhamos que escolher, o faríamos por est@s, @s de baixo, e construir um espaço para nos encontrarmos com el@s. 4. O "custo" de ser conseqüente". Cada conclusão que tirávamos na análise interna nos levava a uma definição, e esta a uma nova conclusão. De acordo com o nosso jeito, não podíamos chamar as pessoas para uma iniciativa sem dizer-lhes claramente o que pensávamos e onde queríamos ir. Se avaliamos que não havia nenhuma possibilidade com a classe política, deveríamos dizê-lo. Devíamos fazer uma crítica frontal e radical de TODA a classe política, sem diferenciar (como antes diferenciávamos Cárdenas do PRD), dando nossos argumentos e razões. Ou seja, avisar as pessoas do que havia se quebrado. Pensamos então (e, como se veria depois, não erramos) que o setor que antes seguiu Cuauhtémoc Cárdenas Solórzano "esqueceria" depois as ações legislativas e de governo do PRD, as incorporações de ex- priistas, os galanteios com o grande dinheiro, as repressões e agressões de governos perredistas a movimentos populares fora de sua órbita, o silêncio cúmplice de López Obrador diante do voto perredista no Senado contra os Acordos de San Andrés e proclamaria AMLO como novo líder. De López Obrador falaremos mais adiante, por enquanto, diremos só que a crítica o incluiria e, era de se esperar, isso molestaria e afastaria este setor que havia estado próximo do neozapatismo. Este setor, formado principalmente, mas não só, de intelectuais, artistas, cientistas e líderes sociais, incluía também o que chamam de "base social perredista" e muita gente que, sem ter afinidade ou ser simpatizante do PRD, pensa que houve ou há algo resgatável na classe política mexicana. E toda esta gente, junto com muitas outras, que não subscreverá nem subscreve as análises e posições do PRD, havia formado uma espécie de "escudo" em volta das comunidades indígenas zapatistas. Havia se mobilizado cada vez que sofríamos uma agressão... menos quando a agressão veio do PRD. A crítica e a distância em relação a AMLO, a quem consideravam e consideram uma alternativa para o de cima, seria considerada uma crítica a el@s. Logo, não só deixariam de nos apoiar, como também passariam a nos atacar. Assim aconteceu. Entre os "triunfos" daqueles que, da academia, das ciências, das artes, da cultura e da informação, apóiam incondicional e acriticamente López Obrador (e fazem ostentação de intolerância e despotismo... mesmo sem ter o governo) há um que tem passado despercebido: conseguiram o que o dinheiro não pôde, as pressões e as ameaças, ou seja, fechar os poucos espaços públicos que davam lugar à palavra do EZLN. Primeiro mentiram, em seguida tergiversaram e caluniaram, depois afastaram e, por último, eliminaram nossa palavra. Agora têm campo livre para fazer uma eco estridente (com edição prévia) do que diz e contradiz AMLO, sem que nada e ninguém lhe faça sombra. Mas o custo não seria só político... também militar. Ou seja, o "escudo" deixaria de sê-lo e a possibilidade de um ataque militar contra o EZLN seria cada vez mais atraente para os poderosos. A agressão viria então com roupas verde oliva, azuis, tricolor... ou, como aconteceu, amarelas (o governo perredista de Zinacantán, Chiapas, atacou com armas de fogo uma mobilização pacífica de bases de apoio zapatistas em 10 de abril de 2004, os paramilitares amarelos, patrocinados pelo PRD, formaram depois as primeiras "redes cidadãs de apoio a AMLO" ? outro "esquecimento" daqueles que reclamaram e reclamam pelo fato do EZLN não ter apoiado nem apoiar o perredista). Decidimos então separar a organização político-militar da estrutura civil das comunidades. Isto era uma necessidade premente. A ingerência da estrutura político-militar nas comunidades havia passado de estímulo a obstáculo. Era o momento de colocar-se de lado e não estorvar. Mas não se tratava só de evitar que o processo que as comunidades zapatistas haviam construído (com aporte, engenho e criatividade próprios) fosse destruído ao mesmo tempo em que o EZLN fosse estorvado por ele. Buscar-se-ia também que o custo da crítica à classe política fosse "pago" só pelo EZLN e, preferencialmente, por seu chefe militar e porta-voz. Mas não só. No caso das comunidades zapatistas decidirem dar o passo que o EZLN via como necessário, urgente e conseqüente, devíamos estar prontos para sobreviver a um ataque. Por isso, um tempo depois, a Sexta Declaração da Selva Lacandona começaria com um alerta vermelho e era necessário preparar-se, por anos, para ela. 5. Anticapitalista e de esquerda. Mas a principal conclusão a que chegamos na nossa avaliação não tinha a ver com estes aspectos, digamos táticos, mas sim com algo fundamental: o responsável por nossa dor, pelas injustiças, desprezos, espoliações e golpes com os quais vivemos, é um sistema econômico, político, social e ideológico, o sistema capitalista. O passo seguinte do neozapatismo tinha que apontar claramente o responsável, não só do desprezo dos direitos e da cultura indígena, mas sim do desprezo dos direitos e da exploração da grande maioria da população do México. Ou seja, deveria ser uma iniciativa anti-sistêmica. Antes disso, ainda que tendencialmente todas as iniciativas do EZLN fossem anti-sistêmicas, não estavam claramente sublinhadas. Toda mobilização em torno dos direitos e da cultura indígena havia sido dentro do sistema, inclusive com a intenção de construir uma interlocução e um espaço jurídico no interior da legalidade. E definir o capitalismo como responsável e inimigo trazia consigo outra conclusão: precisávamos ir além da luta indígena. Não só em declarações e propósitos, mas também em organização. Precisava-se, e precisa-se, pensávamos e pensamos, de um movimento que una as lutas contra o sistema que nos espolia, nos explora, nos reprime e nos despreza como indígenas. E não só soa, como indígenas, mas também milhões que não são indígenas: operários, camponeses, funcionários públicos, pequenos comerciantes, camelôs, trabalhador@s do sexo, desempregados, migrantes, subempregados, trabalhador@s de rua, homossexuais, lésbicas, transexuais, mulheres, jovens, crianças, anciãos e anciãs. Na história pública do EZLN havíamos conhecido outras organizações e povos indígenas e havíamos nos relacionado com eles com sucesso. O Congresso Nacional Indígena havia nos permitido não só conhecer e aprender das lutas e processos de autonomia que povos indígenas estavam levando adiante, mas havíamos aprendido também a nos relacionarmos com el@s com respeito. Mas havíamos conhecido também organizações, coletivos, grupos políticos e culturais com uma definição claramente anticapitalista e de esquerda. Diante del@s havíamos mantido desconfiança, distância e ceticismo. A relação havia sido, sobretudo, um contínuo desencontro... de ambos os lados. Ao reconhecer o sistema capitalista como responsável pela dor indígena, o EZLN tinha que reconhecer que não é só a nós que produz esta dor. Havia e há est@s outr@s que temos encontrado ao longo destes 12 anos. Reconhecer sua existência era reconhecer sua história. Ou seja, nenhuma dessas organizações, grupos e coletivos havia "nascido" com o EZLN, nem a seu exemplo, nem à sua sombra, nem sob o seu teto. Eram, são, agrupamentos com uma história própria de luta e dignidade. Uma iniciativa contra o sistema capitalista não devia só levá-los em consideração, como estabelecer uma relação honesta com el@s, ou seja, uma relação respeitosa. @s companheir@s do Congresso Nacional Indígena haviam nos ensinado que a base para o respeito é reconhecer histórias, jeitos e âmbitos. Assim pensávamos que era possível colocar isso a outras organizações, grupos e coletivos anticapitalistas. A nova iniciativa devia se colocar a construção de pontos convergentes e alianças com est@s outr@s, sem que isso significasse unidade orgânica ou hegemonia del@s ou do EZLN. 6. Olhar para cima... o que não se diz. Conforme, lá em cima, ia avançando a luta pela cadeira presidencial, ia ficando claro para nós que não se tocava no fundamental: o modelo econômico. Ou seja, o sistema que nos faz sofrer como povos indígenas e como mexican@s não era abordado por nenhuma proposta daqueles que disputavam o espaço de cima, nem pelo PRI, nem pelo PAN, nem pelo PRD. Como tem sido apontado, não só por nós, a proposta supostamente de "esquerda" (a do PRD em geral e a de AMLO em particular) não era nem é tal. Era e é um projeto de administração da crise, garantindo ganhos para os grandes proprietários e controlando o descontentamento social com ajudas econômicas, cooptação de dirigentes e de movimentos, ameaças e repressão. Da chegada de Cárdenas Solórzano ao governo da capital, depois com Rosário Robles e, em seguida, com López Obrador e Alejandro Encinas, a cidade do México era e é governada como com o PRI, mas agora sob a bandeira do PRD. Mudou o partido, mas não a política. Mas AMLO tinha, e tem, o que nenhum de seus antecessores possuía: carisma e habilidade. Se antes Cárdenas usou o governo da cidade como trampolim para a presidência, López Obrador também fez isso, mas com maior perícia e sucesso do que o engenheiro. O governo de Vicente Fox, com seus aspectos torpes, se transformou no principal promotor e propagandista da candidatura do perredista. Segundo nossas avaliações, AMLO ganharia a eleição para presidente da República. E não erramos. López Obrador obteve o maior número de votos entre aqueles que disputavam a presidência. Ainda que não com a folga prevista, sua vantagem foi clara e contundente. Onde erramos é em pensar que o recurso à fraude eleitoral já era coisa do passado. Falaremos disso mais adiante. Continuando a nossa análise, a chegada de AMLO e de sua equipe (formada por puros salinistas descarados ou envergonhados, além de uma corja de pessoas vis e ruins) à presidência da República significava a chegada de um governo que, aparentando ser de esquerda, agiria como de direita (tal como fez, e faz, no governo do DF). E, além disso, chegaria com legitimidade, simpatia e popularidade. Mas nada do que é essencial para o modelo econômico seria tocado. Nas palavras de AMLO e de sua equipe: "as políticas macro-econômicas seriam mantidas". Como não diz quase nada, as "políticas macro-econômicas" significam aumento da exploração, destruição da seguridade social, precarização do trabalho, expropriação de terras ejidais e comunais, aumento da migração para os Estados Unidos, destruição da história e da cultura, repressão diante do descontentamento popular... e privatização do petróleo, do setor elétrico e da totalidade dos recursos naturais (que, no discurso de López Obrador, se disfarçavam de "co- investimento"). A política "social" (os "analistas" próximos de AMLO "esquecem", outra vez, as grandes semelhanças com aquela "solidariedade" de Carlos Salinas de Gortari ? o "inominável" relembrado na equipe de López Obrador) da proposta perredista, diziam-nos, seria possível reduzindo o gasto do aparato governamental e eliminando (olha só) a corrupção. A poupança obtida serviria para a ajuda aos setores "mais vulneráveis" (anciãos e mães solteiras) e para apoiar as ciências, a cultura e a arte. Então pensamos: AMLO ganha a presidência com a legitimidade e o apoio dos grandes empresários, além do respaldo incondicional da intelectualidade progressista; o processo de destruição da nossa Pátria continua (mas com a desculpa de ser uma destruição "de esquerda"); e qualquer tipo de oposição ou resistência seria catalogada como "patrocinada pela direita, a serviço da direita, sectária, ultra, infantil, aliada de Martha Sahagún (então era Martinha a "soar" a pré-candidata do PAN ? depois da etiqueta diria "aliado de Calderón") e blá, blá, blá", reprimida (como o movimento estudantil de 1999-2000; o povo de San Salvador Atenco ? lembremos que tudo começa com o prefeito perredista de Texcoco ? os deputados do PRD no Estado do México, que hoje pedem a liberdade d@s pres@s, saudaram e apoiaram a seu tempo a repressão policial; e @s jovens que foram reprimid@s pelo governo perredista deste "defensor do direito à livre expressão", Alejandro Encinas, paradoxalmente, por bloquear uma rua para reivindicar justiça e liberdade para Atenco); agredida (como as bases de apoio zapatistas em Zinacantán); ou caluniada, perseguida e satanizada (como a Outra Campanha e o EZLN). Mas a ilusão acabaria na hora em que se visse que nada havia mudado para os de baixo. E então viria uma etapa de desânimo, desespero e desilusão, ou seja, o caldo de cultivo para o fascismo. Para este momento seria necessária uma alternativa organizativa de esquerda. De acordo com nossos cálculos, nos três primeiros anos de governo se definiria a verdadeira natureza do chamado "Projeto Alternativo de Nação". Nossa iniciativa devia levar em consideração isso e preparar-se para ir com tudo contra (caricaturas incluídas) por vários anos, antes de transformar-se numa opção real, de esquerda e anticapitalista. 7. O que vinha depois? A Sexta. Pelo final de 2002, o projeto que depois seria conhecido como a Sexta Declaração da Selva Lacandona estava esboçado em grandes linhas: uma nova iniciativa política, civil e pacífica; anticapitalista, que não só não havia buscado a interlocução com os políticos, mas que os havia criticado abertamente e sem considerações; que permitisse o contato direto entre o EZLN e @s outr@s de baixo; que @s ouvisse; que privilegiasse a relação com a gente simples e humilde, que permitisse a aliança com organizações, grupos e coletivos com o mesmo pensamento; que fosse de longo respiro; que se preparasse para caminhar com tudo contra (incluído o setor progressista de artistas, cientistas e intelectuais) e disposta a enfrentar um governo com legitimidade. Em suma: olhar, ouvir, falar, caminhar, lutar em baixo... e à esquerda. Em janeiro de 2003, dezenas de milhares de zapatistas "tomaram" a cidade de San Cristóbal de las Casas, Chiapas. Facões (em honra d@s rebeldes de Atenco) e tochas de madeira ardendo brilharam e iluminaram a praça central da antiga Jovel. A direção zapatista falou. Entre el@s, o Comandante Tacho advertiu aqueles que apostavam na falta de memória, no cinismo e na conveniência: "Erram, há sim outra coisa". Neste momento, ainda entre as sombras da madrugada, a Sexta Declaração começou a caminhar... (a continuar...) Pelo CCRI-Comando Geral do EZLN e Comissão Sexta. Subcomandante Insurgente Marcos México, agosto-setembro de 2006. Você pode recuperar os textos já divulgados acessando o site:
http://groups.google.com.br/group/chiapas-palestina ___________________________________ As informações sobre a 2ª Edição ampliada do livro "EZLN: passos de uma rebeldia" podem ser obtidas junto à Editora Expressão Popular através do e-mail vendas@... ou do telefone (11) 3112.0941.

2 Comments:

  • At 10/01/2006, Blogger perrediano said…

    ¿QUIEN ES REALMENTE CUAUHTÉMOC CÁRDENAS SOLORZANO?

    El Cuauhtémoc del Mañana

    El Cuauhtémoc del mañana no puede ser sino el Cuauhtémoc de ayer. En eso por lo menos parece ser congruente y será, desde luego, absolutamente congruente y será candi­dato del PRD a ocupar nada menos que la presidencia de México, “El Cuauhtémoc de ayer" es el represen­tante del nepotismo que practicó en cuanto puesto público llegó a través de elección po­pular o sin ella.

    “EL Cuauhtémoc de ayer" no tuvo empacho en ocupar simultáneamente dos puestos públicos, dos nombramientos incompatibles entre sí "El Cuauhtémoc de ayer" incurrió en graves deficiencias administrativas y contables durante sus diferentes cargos oficiales. "El Cuauhtémoc de ayer" abandona en La Insolvencia a varias dependencias que le había sido encomendadas. "El Cuauhtémoc de ayer" otorgó canonjías a parientes, tíos, primos y amigos como sí el patrimonio del Estado fuera de su propiedad. "El Cuauhtémoc de ayer” atrasó marcadamente el desarrollo educativo de Michoacán cuando prohibió la Instalación de unidades profesionales de la Universidad La Salle y el Instituto Tecnológico I de Monterrey. "El Cuauhtémoc de ayer" emitió decretos de congelación de rentas que se tradujeron en una elevación sustancial de los precios de arrendamiento de vivienda, frenó la construcción de casas habitación y estimuló la aparición de invasiones y asentamientos humanos irregulares en los principales centros urbanos de Michoacán. "El Cuauhtémoc de ayer" decretó una ley que desapareció el Consejo Universitario, provocó una prolongada huelga estudiantil y laboral, así como la designación de rectores paralelos, es decir, le dio cabida indiscutiblemente al caos académico al final de su mandato "El Cuauhtémoc de ayer" congeló las tarifas de transporte urbano de pasajeros que, al privar debido mantenimiento a los autobuses en razón de la descapitalización natural, hizo de la ciudad de Morelia una urbe con las mismas dificultades de transportación que una del África septentrional. "El Cuauhtémoc de ayer" dio de baja a catorce de dieciséis magistrados designando a los nuevos funcionarios Judiciales con arreglo al nepotismo y a la cercanía política. "El Cuauhtémoc de ayer" aumentó sustancialmente el gasto corriente mediante la expansión del aparato burocrático, I la creación de un mayor numero de puestos de nivel superior y el incremento del sueldo y prestaciones de los funcionarios. "El Cuauhtémoc de ayer" recaudo Todo fondos para adquirir instalaciones de la petroquímica secundaria depositando los recursos aportados de buena fe por el público en cuentas partícula rea, cuyo destino se desconoce. ¿Qué tal "El Cuauhtémoc de ayer“? ¿Por qué ha de ser distinto del de mañana? Si "El Cuauhtémoc de ayer" disfrutó practicó el nepotismo, no tuvo empacho en ocupar dos puestos públicos incompatibles simultáneamente incurrió en malos manejos administrativos y contables, abandonó quebrados organismos paraestatales, atraso educativamente a Michoacán desquicio la estructura de precios de arrendamiento de vivienda, provoco invasiones y asentamientos humanos Irregulares, ocasiono huelgas estudiantiles y caos académico. Inutilizo el sistema de transportas de Morelia, designo arbitrariamente funcionarios

    Judiciales para asegurar su incondicionalidad desequilibro las finanzas publicas del estado al expandir el aparato burocrático incrementando desproporcionada mente los sueldos y recaudo fondos de particulares, cuyo destino bien valdría la pena conocer, no es difícil en este caso suponer cuál será la suerte de la ciudad

    De México si un candidato con semejantes debilidades morales, administrativas e incapacidad política. Llega a ser nada Menos que Jefe del Departamento del Distrito Federal nadie que vaya a emitir su voto a favor de Cuauhtémoc Cárdenas puede ni debe ignorar sus antecedentes públicos para estar en condiciones de elegir responsable a la persona que habrá de conducir el destino de esta gran urbe, la cabeza del país, que de venirse abajo por Incapacidad, ausencia de previsión, intolerancia, apatía, negligencia o terquedad o todos sus elementos juntos? Podría ocasionar un severo daño al resto de la nación que contempla atónica la suene política dé la capital de la República.

    EL CUAUHTEMOC MAYOR DE EDAD

    La biografía política de Cuauhtémoc Cárdenas Solórzano tiene tres etapas claramente definidas a partir de su mayoría de edad. En la primera etapa de 1959 a 1969, ocupó cargos públicos en organismos federales. En la segunda a solicitud de su mama fue favorecido por el presidente López Portillo quien en un lapso de menos de tres años lo propuso como candidato a senador lo nombró subsecretario Fores­tal y de la Fauna e Inclinó el fiel de la ba­lanza a su favor para que fuera gobernador de Michoacán. La tercera etapa de 1987 a 1997 es la lucha desesperada y vió­lenla para que se le sean reconocidos sus derechos de heredero de la Presidencia de México. Como detalles personales de su personalidad valdría la pena no perder de vista que el Cuauhtémoc de hoy se hizo re­tratar con Marcos en la selva chiapaneca. Más aún. Durante la visita del Papa Juan Pablo II a México. Cárdenas pidió que aquél fuera expulsado del territorio nacio­nal por considerarlo un extranjero inde­seable. ¿Qué tal? ¿Ya se le olvidó lo ante­rior a este hermoso pueblo sin memoria?.

    CUAUHTEMOC Y EL NEPOTISMO

    Cuauhtémoc, como beneficiario directo del nepotismo, fue secretario del Comité Técnico del Rió Balsas de 1959 al 62. Más tarde, fue director de Estudios de la mis­ma comisión. Simultáneamente fue nom­brado en 1964 residente de la construcción de la presa "La Villita". Obra que fuera a cargo de la CFE. Este doble nombramiento de director y residente, es decir, el ejer­cicio de dos empleos al mismo tiempo le reportaron evidentes ventajas lucrativas al joven Cárdenas. También se desempeño como subdirector de la Siderurgica Las Truchas,

    CUAUHTEMOC ADMINISTRADOR

    Cuando Cuauhtémoc Cárdenas fue director del Fideicomiso Lázaro Cárdenas se registraron graves deficiencias administrativas y contables, al extremo de que no fue posible conocer el monto y distribución de las inversiones que se realizaron, en virtud de no existir la do­cumentación suficiente para apoyar las operaciones realizadas, según consta en diversas auditorias practicadas por di­versos despachos de profesionales. El in­geniero Cárdenas debería explicar ante la opinión pública si es que es cierto que se cobraron obras de almacenamiento de agua sin haberse éstas aparentemen­te ejecutadas. El fideicomiso quedó insta­lado en el caos a su salida ya que tam­poco se ha podido precisar el número, tipo y localización de las obras, pues los contratos no establecen lugar donde se efectuarían ni se proporcionó informa­ción sobre la terminación de las mismas. ¿Qué pasó con el dinero y las obras? El electorado se merece una explicación.

    Como un detalle adicional de su ges­tión como administrador, el fideicomiso a su cargo no pudo cumplir sus adeudos ni con Nafinsa ni con Banobras. El es­tado de insolvencia fue total. ¿Qué tal su papel como administrador?

    CUAUHTEMOC Y EL NEPOTISMO

    Siendo director del fideicomiso antes citado otorgó un contrato de maquila al señor Francisco Batel, suegro de Cuauhtémoc Cárdenas, por un total de casi dos millones ochocientos mil pesos, de los cuales el propio señor Batel presentó recibos sin requisitos fiscales, es decir, documentación hecha sobre la rodilla, inútil para efectos tributarios y particularmente útil para efectos defraúdantes. Además de lo anterior renovó una concesión a su abuela Albertina Bravo viuda de Solórzano para disfrutar 6,000 metros cúbicos de madera de oyamel. Extendió permisos de aprovechamiento forestal a tíos y primos como el caso de la com­pañía maderera La Guadiana por un pla­zo de 20 años cuando la ley solamente autorizaba diez... Otorgó facilidades ad­ministrativas a Clotilde Solórzano Bravo, a Lázaro y Cuauhtémoc Cárdenas Bravo y a Virginia, Victoria y Susana Solórzano Bravo para explotar los predios "El Ci­prés" y "Huirimangatío", así como be­neficio a su propia madre y a Alejandro Solórzano mediante la entrega del predio Los Ajolotes en el Municipio de Hidalgo. ¿Cómo olvidar además la venta de dos hectáreas de terreno en el lugar denominado playa Eréndira, en el Municipio de Lázaro Cárdenas, Michoacán, nada menos que a su mamá doña Amalia Solórzano viuda de Cárdenas? ¿Más? ¿Toda vía más? Cárdenas no sólo vendió a su mamá importantes cantidades de terreno a través de maniobras poco claras sino también a su suegro el señor Fran­cisco Martins Batel, quien es poseedor de casi siete mil metros en la misma playa, al igual que Celeste Batel de Cárde­nas, su esposa, posee un predio de doce hectáreas denominado Las Lagunas en el municipio de Lázaro Cárdenas. Por si fuera poco lo anterior cuando Cárdenas fue gobernador nombró a Jor­ge Solórzano, su primo, como director de la Casa de la Artesanías; a Sergio Bátiz Solórzano, también su primo, como se­cretario de Programación y Presupuesto de la entidad y amigos incondicionales como Jesús Oregel, como jefe de com­pras del Gobierno del Estado.

    CUAUHTEMOC GOBERNADOR

    Promulgó una ley estatal de educación para frenar el crecimiento de plante­les escolares propiedad de particulares vinculados a la Iglesia católica, como si hubiera una sobreoferta de aulas y pupi­tres en Michoacán y en el resto del país. ¿Qué tal cuando prohibió que la Univer­sidad La Salle y el Tec de Monterrey se asentaran en Michoacán como si no se supiera que donde hay universidades y tecnológicos de esa naturaleza se dan abiertamente las posibilidades de desa­rrollo económico. ¿Respuesta? Se opuso a La Salle y al Tec. La ley inquilinaria provocó invasiones y asentamientos humanos en los principales centros urbanos del estado. El Cuauhtémoc gobernador desquició a la universi­dad, a los transportes, a la administración de justicia y a las finanzas públicas, ade­más de patrocinar grupos de choque que produjeron un imponente malestar.

    CUAUHTEMOC MECENAS

    Valdría la pena preguntarle a nuestro famoso poeta Hornero Aridjis cuál es su opinión después de que fue cesado violen­tamente por el gobernador Cárdenas después de que éste se negó a realizar el festi­val internacional de la poesía en Morelia y | le pidió a Aridjis que, a pesar de que los colegas de este último ya estaban en Mé­xico, volvieran sin más a sus países de ori­gen. Aridjis cesado, pudo, sin embargo, salvar el prestigio nacional de México apoyado por poetas mexicanos e instituciones que coadyuvaron a la realización del evento. El arte y la cultura del Distrito Federal en manos de Cuauhtémoc Cárde­nas no sería por lo visto muy aconsejable o mejor dicho, nada aconsejable o totalmente desaconsejable.

    CUAUHTEMOC INCENDIARIO

    Los asentamientos irregulares que aparecieron en las ciudades michoacanas de Morelia, Uruapan, Zamora y Lázaro Cárdenas como consecuencia de la ley inquilinaria hizo que surgieran organizaciones radicales como "Tierra y Libertad" o la "Unión Popular Solidaria" que acabaron por desquiciar las finanzas municipales. Como si no fuera suficiente lo anterior proliferaron las casas del estudiante originadas por la invasión de inmuebles de particulares tanto en Morelia como en Uruapan, invasiones que fueron promovidas por la administración cardenista que impulsó a organizaciones estudiantiles como la Federación Nacional, de Organizaciones Bolcheviques a reivindicar a los estudiantes universitarios rechazados. ¿Ya no es incendiario? ¿Y Marcos?

    CUAUHTEMOC CONTRATISTA

    Como fundador y director de la empresa INDE, S.A. y Constructora INDE

    Conductores, Cuauhtémoc Cárdenas fue contratista de PEMEX en aproximadamente quince importantes contratos en los que destacan la construcción de un gasoducto entre Tabasco y Veracruz; la construcción de una planta de amoniaco en Salamanca, Guanajuato; la instalación de un poliducto de doscientos sesenta y nueve kilómetros entre Zacatecas y Coahuila, otro de trescientos cuarenta kilómetros entre Monterrey y Durango, entre otras plantas hidrodesulfaradoras de diesil y turbosina en Salamanca y Minatitlan, respectivamente. Lo anterior viene al caso porque su padre el general Cárdenas afirmó el 29 de enero de 1967 que "el tiempo aclarará que Cuauhtémoc no es contratista. Ni él ni yo vamos a manchar la ejecutoria de 1934-1940". Todo permite suponer que don Lázaro desconocía las evidencias documentales que acreditan a Cuauhtémoc como contratista. ¿Qué hubiera dicho de él?

    DESTRUCCION DE LAS MINAS DE INGUARAN

    La demolición de las minas de Inguarán municipio de la Huacana donde laboraban más de mil trabajadores, siendo Cuauhtémoc Gobernador de Michoacán les negó per­misos para continuar trabajando porque eran extranjeros dio manos librea a los obreros quienes se quedaron sin trabajo, dedicándo­se a destruir toda la unidad habitacional para extraer la varilla y venderla lo mismo hicieron con basculas, albercas y tuberías subterráneas de una a diez pulgadas de diá­metro emporio de trabajo lo convirtió Cuauhtémoc en ruinas como a la fecha se puede apreciar. Consideran que se requieren alre­dedor de Mil Millones de pesos actuales pa­ra volver a recuperar esa empresa.

    Si Cuauhtémoc es amante del nepotismo, ocupó simultáneamente dos puestos, incurrió en malos manejos administrativos, quebró organismos paraestatales, y atrasó procesos educativos, desquició el arrendamiento de viviendas, provocó invasiones y asentamientos irregulares, ocasionó huelgas estudiantiles y caos académico, inutilizó el sistema de trans­portes de su estado, patrocinó grupos in­cendiarios, pasó por encima del poder judicial, desequilibró las finanzas públicas, y mostró hasta la saciedad su incapacidad, su falta de habilidad como gobernante de Michoacán, ¿qué esperan del Cuauhtémoc del mañana quienes piensan votar por él a pesar de sus antecedentes demostrables como funcionario Público?

    Quien vote por Cuauhtémoc Cárdenas no debe sorprenderse ni por el nepotismo, ni por los malos manejos, ni por la influencia de su madre en los asuntos públicos, ni por la quiebra de paraestatales propiedad del Departamento del Distrito Federal, ni que la ciudad de México se vaya otros cuarenta años para atrás si se vuelve a legislar en materia de rentas congeladas, ni del caos urbano por una parálisis del sistema de transportes de la capital de la República, ni del desequili­brio de las finanzas públicas del Depar­tamento, ni de la demagogia ni de la des­trucción cultural de nuestra ciudad.

    Todos tenemos datos para comprobar la gestión de Cárdenas. Todos pueden comprobar sus antecedentes y si a pesar de eso lo favorecen con su voto nadie po­drá tener derecho a reclamar nada, ab­solutamente nada. Lo que nos espera es claro y transparente. Sólo esperaremos que la residencia oficial de Los Pinos no aparezca un día heredada a un Cárdenas ya que Cuauhtémoc siempre alegó que por el hecho de haber nacido en ese lu­gar, por derecho natural y político le co­rresponde volver por gravedad a dicha residencia.

    ¿Quién cree a los Cárdenas? ¿Necesi­taremos más pruebas para saber quién son los Cárdenas del mañana?

     
  • At 10/04/2006, Anonymous Anonymous said…

    SOLICITO TRABAJO DE GOBERNADOR.

    Ya de perdiz de Michoacán.

    No soy rata, y mucho menos pendejo, traidor, no tengo tratos con el narco, mi palabra es de honor, no soy mentiroso, homosexual, drogadicto, marihuano, caguamero.ni regenteo prostitutas cubanas, no soy lambiscón, no hago tratos en lo oscuro con los del pan ni mucho menos con los del PRI.

    No tengo empresas eléctricas como Chavo López y Fausto Vallejo, no tengo tamarindillos ni playas erendiras, no tengo picadores ni mayates, en nomina, cobro 40 mil pesos y no pedire prestamos de 1500 millones de pesos cada año, ni aumentare impuestos, no les daré a los mayates verificentros. Ni haré carreteras ni casas de mala calidad. ni soy chaquetero y traidor con los indigenas

    En síntesis, soy honrado y si no que el pueblo y la patria me lo demande.

    ccp. Congreso de putas y maricones del estado de Michoacán

     

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