*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

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Friday, October 13, 2006

Paulo Nogueira Batista Jr.: Alckmin e a "alegria de rico"




Em artigo para o jornal Folha de S.Paulo publicado nesta quinta-feira (12/10), Paulo Nogueira Batista Jr. critica a "agressividade e prepotência" que marcaram a postura de Geraldo Alckmin no debate de domingo passado, na TV Bandeirantes. Na opinião do economista, houve precipitação dos aliados de Alckmin, que comemoravam euforicamente o desempenho do tucano no debate. "Alegria de rico também dura pouco", brincou o articulista, que condenou o programa tucano para a política externa. Confira.

Por Paulo Nogueira Batista Jr.*

Alegria de rico também dura pouco. Na segunda e na terça, as hostes oposicionistas vibravam. Nos meios de elite e de classe média, onde a preferência por Alckmin é muito nítida, havia até um princípio de euforia. Os principais jornais falavam em vitória do ex-governador no debate da TV Bandeirantes no último domingo.

"Nasce um presidente?", perguntava, afoito, um economista, em artigo publicado aqui na Folha. "Alckmin prevaleceu", declaravam quase todos, em uníssono. A principal exceção foi Jânio de Freitas, que, em sua coluna na Folha, colocou o dedo na ferida. Com o novo figurino, agressivo e arrogante, o ex-governador se apresentara no debate como "um misto de Fernando Collor e Carlos Lacerda", escreveu ele. Nesse figurino, notavam-se as impressões digitais de Fernando Henrique Cardoso, que havia lamentado publicamente a ausência de alguém como Lacerda na atual conjuntura política...

A comemoração oposicionista foi prematura. Ontem, com o Datafolha, veio a ducha de água fria: a vantagem de Lula cresceu depois do debate. Não foi surpresa para mim.

Agressividade e prepotência raramente rendem votos no Brasil. Agora, o ex-governador Alckmin talvez seja obrigado a se dedicar a um debate mais substantivo. Tomara. Tanto ele como o presidente Lula estão nos devendo uma discussão mais séria sobre os rumos que pretendem dar ao país.

Em matéria de política externa, por exemplo. No debate de domingo, o candidato tucano condenou com veemência a política do atual governo, que considera "um fracasso". A sua veemência preocupa.

Afinal, essa é uma das poucas áreas em que houve grande progresso no governo Lula. Mas, enfim, sempre é possível melhorar.

Vejamos o que propõe o candidato da oposição. No seu programa de governo de 148 páginas, a política externa mereceu um capítulo de apenas três páginas. Pouco, muito pouco para quem considera a atual política um fracasso.

O capítulo começa com a afirmação de que "a política externa brasileira historicamente teve um caráter consensual e suprapartidário". Afirmação curiosa. No Brasil, como em qualquer país relevante, a política internacional é freqüentemente tema de controvérsias, não raro acirradas.

O embaixador Rubens Barbosa, que assessora o ex-governador nessa área, tem escrito que, com Alckmin, a política externa voltará "a seu leito natural". O que isso quer dizer? Só Deus sabe. O programa de governo dá poucas pistas. Esperemos que esse "leito natural" não seja o velho alinhamento à política de Washington, que caracterizou grande parte da política internacional nos governos Collor e FHC, especialmente na gestão da vaporosa figura de Celso Lafer, um dos piores, talvez o pior chanceler que o Brasil já teve.

No programa de Alckmin, há uma referência vaga à necessidade de "intensificar as relações com os centros mais dinâmicos da economia global, sem descuidar de nossas ligações, interesses e obrigações históricas com os países menos desenvolvidos". O embaixador Barbosa esclareceu que isso significa "restabelecer a prioridade das relações com os países desenvolvidos" ("Alckmin e a política externa", O Globo, 10 de outubro de 2006).

Até onde iria essa prioridade? Chegaria à aceitação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) nos termos propostos por Washington? Isso seria um verdadeiro desastre para o Brasil, como expliquei de forma pormenorizada no meu livro mais recente e em diversos artigos que publiquei nesta coluna nos últimos anos. Um dos méritos da política externa do governo Lula foi ter impedido, em aliança com outros países, que a Alca se concretizasse. O programa do candidato tucano se limita a mencionar que irá "atuar pela retomada das negociações da Alca e explorar as possibilidades de acordos bilaterais de livre comércio como passos transitórios do processo de integração continental".

E o Mercosul? O que propõe o programa de Alckmin? Por incrível que pareça, "promover ampla reflexão sobre o Mercosul". Só isso? Só. Esplêndida concisão.

* Paulo Nogueira Batista Jr. é economista e professor da FGV-EAESP

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