*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

VC LEU MICHEL FOUCAULT,NÃO?ENTÃO O QUE VC ESTÁ ESPERANDO FILHO DA PUTA?ELE É A CHAVE DA EVOLUÇÃO DOS HUMANOS.HISTORIA DA LOUCURA,NASCIMENTO DA CLINICA,AS PALAVRAS E AS COISAS,ARQUEOLOGIA DO SABER,A ORDEM DO DISCURSO,EU PIERRE RIVIÉRE,A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS,VIGIAR E PUNIR,HISTORIA DA SEXUALIDADE,EM DEFESA DA SOCIEDADE,OS ANORMAIS...EVOLUÇÃO OU MORTE!

Friday, June 22, 2007

Caçador de memórias femininas 22/06/07 oi tia:)li seus livros são foda.os gênios não apareçem na tv..

Mulheres Públicas:Para esclarecer o lugar das mulheres no espaço público, Michelle Perrot, num diálogo com Jean Lebrun, mostra uma política e poética dos lugares. Através de cinco temas - imagens, palavras, lugares, frentes de luta e resistências, aparecem os deslocamentos das fronteiras. Entre o público e o privado, os homens e as mulheres, o político e o pessoal, as divisões se quebram e recompõem uma paisagem. Neste livro, o autor levanta as seguintes questões; qual será a paisagem do século que se anuncia? Que novas partilhas e para qual cidade? Por que, apesar de as mulheres terem adquirido a igualdade civil, a instrução, o salariado e os esportes de alto nível, elas ainda encontram resistência nos três bastiões masculinos - o militar, o político e sobretudo o religioso?

Excluídos da História: Operários, Mulheres e Prisioneiros:Em " Os Excluídos da história" encontraremos operários, mulheres e transgressores da ordem burguesa, configurando um conjunto polissêmico e modelado de forma a ganhar a dimensão de sujeitos da história. A paixão de Perrot pelo belo lhe impõe uma linguagem direta, clara e elegante ao extremo, sem prejuízo do rigor conceitual; revelando verdadeiras lições de como se faz pesquisa, seus textos expõem o arcabouço teórico e os procedimentos da análise. E oferece a oportunidade de conhece-los e avaliá-los.
AS Mulheres e os Silêncios da História:
Michelle Perrot, renomada historiadora contemporânea, sempre preocupada com o tema da mulher nos aspectos históricos, reúne artigos diversos sobre a condição feminina na história. Nesse livro, desvendam-se tanto a engendrada estrutura sociocultural, resistente ao tempo, que submete e mantém as mulheres em silêncio, quanto o movimento feminino de saída da vida unicamente privada para as esferas públicas e uma maior atuação na sociedade.
Quando se fala em história das mulheres, o nome da francesa Michelle Perrot salta como unanimidade. Aos 79 anos, vivendo e trabalhando em Paris, ela mantém-se como referência para estudos acadêmicos e alento para incontáveis ramificações do movimento feminista. Porém, ao contrário das ativistas americanas nos anos 60, Michelle não queimou sutiãs em praça pública. Há meio século dedica-se a um trabalho até silencioso: escavar o tempo, remover camadas de esquecimento e recompor um passado feito de silêncios. Poucos historiadores, como ela, saberiam explicar tão bem as dificuldades dessa recomposição. Começa pelo fato das mulheres terem tido acesso tardio à escrita - ainda hoje sentem-se os efeitos desse atraso. Depois, pela natureza do trabalho doméstico ao qual estiveram restritas as “senhoras” do lar: trabalho duro, em grande parte repetitivo, que some sem deixar vestígios. Fora isso, a História com “h” maiúsculo preferiu registrar a passagem pelo mundo de mulheres notáveis ou excepcionais. Como Catarina de Médici (1519-1589), a soberana sempre lembrada para exemplificar os inconvenientes das mulheres no poder. Não foram, portanto, nada fáceis as pesquisas de Michelle Perrot, que há semanas teve lançado no Brasil seu livro mais recente, Minha História das Mulheres (Editora Contexto) - fruto de relatos seus para o rádio, em programa transmitido pela Radio France Culture. E por que “minha” história? Porque, com meio século de dedicação à (re)descoberta do feminino, Michelle pode fazer as escolhas teóricas que quiser. Neste livro, por exemplo, dedica um capítulo inteiro à análise do cabelo das mulheres ao longo dos tempos. As mechas desgrenhadas das feiticeiras, as madeixas das casadoiras, as cabeças raspadas das condenadas, os fios curtos das garotas da Belle Époque, e por aí vai. Leitura deliciosa. Vale ressaltar um aspecto: Michelle é uma historiadora que sabe olhar e o faz constantemente nas suas decifrações. Tanto que, junto com o colega George Duby, o especialista francês em Idade Média, assinou o clássico Images des Femmes, no qual analisam representações do feminino nas artes. Nesta entrevista ao caderno Aliás, marcando o Mês Internacional da Mulher, Michelle Perrot distancia-se da linguagem libertária das ativistas para se posicionar diante de uma “história sem fim”. Reconhece que o feminismo ajudou-nos a romper um silêncio milenar, mas lamenta que o movimento ainda seja majoritariamente “branco”, saído da classe média e movido por mulheres que chegaram à universidade. E as muitas outras? Argumenta que as feministas pouco sabem sobre o que se passa nas zonas mais “obscuras” do planeta e, por fim, pondera: “Até podemos começar a escrever sobre as africanas. Mas elas próprias é que terão de fazê-lo. As mulheres fazem a história da mesma forma como tomam o próprio destino nas mãos.”


Em seu livro, a senhora pondera que o feminismo deslanchou a partir dos anos 70, quando as mulheres começaram a ocupar as universidades. Mesmo em Paris, terra de Simone de Beauvoir, este é o marco cronológico? Sem dúvida. É a presença das mulheres nos campi que detona o movimento. No começo, com muita hesitação. Quando, em 1973, decidi com duas colegas da universidade (Paris 7 - Jussieu) organizar um curso sobre a história das mulheres, bateu-nos de cara uma dúvida. Como batizar o curso? Pisávamos um território novo, não tínhamos idéia de como aquela iniciativa seria recebida. Então, na dúvida, criamos o seguinte nome: “As mulheres têm uma história?”. Ou seja, o curso, já no seu enunciado, expressava uma indagação. E por que fomos tão cautelosas? Primeiro, porque sequer tínhamos material teórico suficiente para fundamentar as aulas. Segundo, porque vivíamos sob a influência, ainda dominante, do estruturalismo, que via as mulheres como “objetos de troca”. Outro motivo: havia uma tendência nítida no mundo acadêmico de privilegiar a história pública, quando, no caso das mulheres, buscava-se a informação confinada no espaço privado. Por fim, havia a crença inabalável de que a história é feita pelos homens. Até uma feminista como Simone de Beauvoir acreditou nisso. Com tantos obstáculos a vencer, minhas companheiras e eu decidimos que melhor seria apresentar o curso sob a forma de uma pergunta. E qual foi a receptividade?
A boa procura provou que estávamos no caminho certo. Hoje, esse tipo de dúvida não tem mais sentido. O desenvolvimento da história das mulheres, ao longo dos últimos 30 anos, tem sido imenso e se espalha por todo o mundo. Pesquisas, livros, toda essa produção teórica, que ainda é nova, está criando volume, fazendo com que as mulheres se tornem seres mais “familiares”. Porque atravessaram séculos como “desconhecidas”. Hoje estamos conseguindo recompor suas feições, reconstituir seu lugar no mundo, seja ele individual ou coletivo. São evoluções que se processam diante de nós, criando novas compreensões sobre a relação entre os sexos. E, o que é mais notável: o desenvolvimento desta disciplina está se fazendo acompanhar da tomada de consciência das próprias mulheres como portadoras de identidade sexuada. São processos concomitantes. Isso se aplica a mulheres “do outro lado do mundo”, mulheres que ainda hoje vivem em sociedades culturalmente fechadas, submissas a controles sociais e religiosos?
Posso afirmar o seguinte: a construção da história das mulheres depende delas próprias, mesmo que não estejam diretamente vinculadas a isso. O ponto de partida dessa construção pressupõe uma certa autonomia e acesso à cultura. No fundo, as mulheres tomam sua história nas mãos da mesma maneira como tomam seu destino nas mãos. Daí o avanço das ocidentais. Mais emancipadas, elas puderam recuperar uma trajetória. Isso significa que estamos “nem aí” para as mulheres de outras partes do mundo? Desprezamos tudo o que não seja nosso? Não é isso, porém, honestamente, não poderemos substituir as mulheres africanas na construção de sua história. Seria como colonizá-las de novo. Em compensação, é impossível não ver hoje o desejo vivo de história que as japonesas e indianas têm. São mulheres ligadas a grupos feministas, centros de pesquisa, universidades, enfim, estão escrevendo muito. Para construir a própria história, as africanas precisam adotar uma perspectiva feminista? Uma certa consciência feminista é necessária para iniciar a alavancagem do processo, porque vai ajudar na hora de contestar o “inquestionável” e na fase de romper o silêncio. Tem sido assim. É na agitação do movimento de mulheres que brota aquela vontade de escrever sobre nosso passado e presente. Agora, veja bem: essa consciência é necessária, porém insuficiente. Erguer o edifício da história nos impõe regras. Marc Bloch fala muito do “métier” do historiador e suas exigências. Começa que não somos proprietários de algo que pertence a todos. Já se disse que, por sair do campo privado, onde reinam as “miudezas” da vida, a história das mulheres seria uma espécie de infra-história que atravessa as sociedades. Concorda com tal visão? Durante muito tempo, mulheres estiveram confinadas às sombras da vida privada. É em lugares escondidos que nós, historiadores, vamos buscá-las primordialmente. Daí o esforço em penetrar zonas isoladas, em buscar fontes de informação de caráter íntimo, como cartas e diários.Também dedicamos especial atenção aos gestos e cenários do cotidiano. O quarto, a cozinha, os conflitos em família, os costumes do dia-a-dia… Essa maneira de lidar com as coisas nos enriquece de saberes. Leva-nos a uma história das gentes, incluindo a dos homens. Pensadores importantes e colegas seus, como Eric Hobsbawn e Perry Anderson, manifestam-se com grande entusiasmo sobre o movimento das mulheres. Chegam a dizer que resultou na transformação social mais importante do século passado. Então, por que o feminismo ainda é malvisto ou, no limite, visto com reservas?

Embora Hobsbawn e Anderson se manifestem com animação, será que eles acreditam mesmo nisso? Será que estãoconvencidos? Eu tenho lá minhas dúvidas. Entre muitos historiadores de viés marxista persiste a idéia de que o movimento feminista esbarra em impasses insuperáveis. E ficam se questionando: é possível substituir classe por sexo? Não saem do lugar. Mesmo entre aliados das mulheres, há um certo mal-estar. Caso de Pierre Bourdieu, um dos primeiros intelectuais a falar da “dominação masculina”. A verdade é que a contestação feminista não é fácil de entender, muito menos de aceitar. Nem para os homens, muito menos para aquelas mulheres que só sabem jogar no campo da sedução. São pessoas que preferem rotular as feministas de feias, virilizadas, sem graça. Por isso fico particularmente feliz quando encontro uma jovem bonita, dizendo-se feminista. Dançando, rindo e dizendo-se feminista, como acontecia naqueles anos 70. Isso está ficando raro…O feminismo envelheceu? Concordo, está mais raro. Mas a questão não é exatamente se o movimento envelheceu. Observo hoje garotas de 20 anos, estudantes, que fazem indagações do tipo: “Feminista? Eu? Por que teria de ser?” Como se quisessem dizer: a causa já foi incorporada, tudo isso é uma evidência. Ainda que Beauvoir tenha sido uma pioneira, com a obra “O Segundo Sexo”, de 1949, hoje o que se vê é que os “womens’s studies” prosperaram muito mais nos EUA que na Europa. Sem dúvida. O feminismo anglo-americano é rico de escritoras: Betty Friedan, Sheila Rowbotham, Denise Riley, Judith Butler…elas produziram textos muito importantes. Entre as historiadoras, eu poderia lembrar Natalie Zemon Davis, Joan Scotth, Lynn Hunt. São particularmente conhecidas na França, onde gozam do reconhecimento da comunidade acadêmica. Mas essa produção teórica, ou boa parte dela, ainda precisa sair do gueto. Precisa circular em livros que falem a um público mais expressivo que o dos círculos feministas. A história das mulheres deveria irrigar todo um campo do saber, funcionando como elemento essencial de intelegibilidade. Feminismo é contracultura? Há, na França, e sem dúvida em muitos outros lugares, diferentes tipos de feminismo. Há o “feminismo da diferença”, que insiste na alteridade das mulheres, muito ligado à questão do corpo. Há o feminismo mais universalista, que teme esse “fechamento” na tese da diferença. Ele está voltado para as possibilidades da democracia, portanto, não quer para si o carimbo da contracultura. Agora, o feminismo da diferença e mesmo a experiência cotidiana das mulheres podem servir de elementos para uma contracultura. Para que lado vai a nau feminista? Acho que estamos em condições de encontrar uma terceira via, um feminismo de reconciliação, que seja ao mesmo tempo universal e alternativo. As mulheres trabalham mais, estudam mais, ocupam espaços, estão mais independentes, porém, as desigualdades persistem. O masculino ainda é o eixo que organiza a pós-modernidade? Apesar de todo o “progresso” feminino, as desigualdades persistem em todos os domínios, especialmente no que concerne à decisão política e econômica. A hierarquia dos sexos, que rege a organização das sociedades desde a “noite dos tempos”, lembrando aqui expressão da antropóloga Françoise Héritier, não só persiste como não poderá ser abolida rapidamente. É uma transformação de longa duração, um desafio que não se conquista assim, de um momento para o outro, até porque se desdobra em transformações práticas e simbólicas. Como a divisão do trabalho doméstico. O fundamentalismo, crescente no mundo, pode fazer o movimento das mulheres recuar, mesmo no Ocidente? Existe o fundamento religioso, mas também existe o laico. E ambos constituem uma das ameaças mais fortes às mulheres nos dias que correm. Fundamentalismos reafirmam, com muita força, a hierarquia sexual, hierarquia que passa a ser entendida como a expressão da vontade de Deus, enraizada na natureza que “Ele” criou. Isso estimula a multiplicação das mulheres submissas, invisíveis e dominadas em seu amedrontamento progressivo. O véu é apenas o símbolo mais evidente. O fundamentalismo já se instalou no coração da Europa secular: enquanto os católicos contestam agressivamente o direito ao abortamento, os islâmicos fazem questão de cobrir a cabeça de suas filhas, que continuam casando cedo, contra a própria vontade. E os assassinatos classificados como “crimes de honra” proliferam. A prostituição também avança em vários pontos do globo, envolvendo meninas. O que é isso? Pauperização das mulheres ou reafirmação da chamada “necessidade sexual masculina”, que é uma idéia discutida em livros seus? A pobreza continua sendo, de longe, o propulsor da prostituição. É a engrenagem perversa que explora a miséria e as carências das mulheres. Na França, os usuários desse sistema têm olhado muito para a Europa do Leste e países da África. Há também fluxos migratórios de homens solteiros que vêm para a Europa e vão saciar seu “irrepreensível apetite sexual” com prostitutas. São fenômenos de massa. Por outro lado, a prostituição de luxo, a das call girls, é uma atividade econômica de livre escolha, que vem diminuindo.
A impressão que se tem é que o feminismo continua sendo um movimento de mulheres brancas, com estudo e majoritariamente vindas da classe média. Mesmo o feminismo brasileiro, elogiado pela senhora, parece conhecer pouco a vida da mulher na favela, da mulher com filho ou marido no presídio ou da garota negra do movimento hip-hop. É verdade, as articulações feministas no Brasil têm muito vigor. Quanto ao feminismo, de modo geral, ele ainda diz respeito sobretudo às mulheres brancas, das camadas médias da sociedade. Isso fica muito evidente na América Latina, onde as divisões sociais são mais acentuadas que na Europa ou nos EUA. Mas, aqui na França, observo que o feminismo de classe média penetrou no meio popular de diversas formas: na vontade que as mulheres de baixa renda manifestam em ter acesso à contracepção, no seu desejo de autonomia, na afirmação visual das garotas da periferia, na garra que elas têm de estudar e nos recorrentes protestos contra a violência doméstica. Existe até um movimento nos banlieues cujo slogan é “ni putes, ni soumises” (nem putas, nem submissas). E o que ele defende, afinal? O direito à independência, liberdade e instrução escolar. Na África, o movimento vai desbravando grotões em sua campanha contra a mutilação genital e na cobrança por programas de proteção contra a Aids. Dito de outra forma: as idéias e os comportamentos feministas estão sendo difundidos e exercem um poder de atração sobre mulheres desfavorecidas. Agora, dou-lhe razão. Tenho consciência de pertencer a um meio privilegiado e protegido, que ainda desconhece outras realidades sociais e étnicas. Modestamente, tenho que consentir nisso. Como diminuir esse vão histórico? Pois é, nossa ignorância sobre as africanas é imensa. Inclusive porque a história delas não está escrita. Ou o que se tem é muito pouco. Sobretudo na última década, os estudos avançam na medida em que pesquisadoras africanas chegam às universidades. Tenho conferido isso na minha própria universidade, em Paris, onde antes só havia o departamento “Terceiro Mundo”. Hoje não só este nome caiu por terra, como mais e mais vejo mulheres vindas da África. Ainda temos poucas teses acadêmicas, poucos livros, porém as africanas vão alcançando estruturas de poder - seja na universidade, na administração pública, na política. Estas pioneiras estão jogando um papel decisivo na transformação de realidades. Evidentemente, se começo a pensar no genocídio em Ruanda, sou forçada a admitir: o progresso delas ainda é irrisório. A partir de 1994, com a Conferência de População e Desenvolvimento do Cairo, da ONU, a saúde reprodutiva ganhou papel central na agenda feminista- contracepção, aborto, planejamento familiar. É hora de atualizar a agenda? Toda agenda social precisa ser atualizada em função dos problemas que surgem e das soluções que se encontram. Acho que hoje o combate à Aids está mais desafiador do que nunca, mesmo que o acesso a medicamentos tenha aliviado a situação em alguns lugares. E o desafio maior permanece: como as mulheres podem ter domínio sobre a informação, em matéria de sexualidade? Uma mulher socialista, Ségolène Royal, tem chances de vitória nas eleições presidenciais francesas. Hillary Clinton, senadora democrata, tenta o mesmo nos EUA. Cresce timidamente o diminuto clube das chefes de Estado. A conquista do poder político poderá ser um marco na história das mulheres no século 21? A candidatura de Ségolène já causou um impacto considerável na sociedade francesa. Pela primeira vez, aqui, uma mulher ousa dizer: eu quero ser presidente da República. A França é um país onde a política, há muito tempo, é território masculino. As francesas só conseguiram o direito ao voto em 1944, quando apenas as gregas ainda não tinham conseguido!


Como está hoje a representação política das francesas?
Somos ainda 13% do Parlamento, embora haja uma lei de paridade. Durante muito tempo pensou-se que política é assunto de homem. E que as mulheres têm coisas mais doces a fazer. Então, a ambição de Ségolène é nova. Esta mulher conseguiu se impor no Partido Socialista e aparece como uma candidata com credibilidade e competência. Alguém que pode melhorar a segurança na perspectiva da “ordem justa”. Combinar proteção social com crescimento econômico. Aperfeiçoar a democracia participativa e até modernizar o socialismo. Isso é o que Ségolène pode fazer. Se vai conseguir ou não, é outra história. Primeiro porque hoje a esquerda é minoritária na França. Depois, porque reflexos machistas poderão se fazer sentir. Hillary também tem chances. E obstáculos. De qualquer forma, começamos a provar o sentimento de que é chegado o nosso tempo na política. A família está mudando. Homens e mulheres casam, separam, casam de novo. Experimentam novos papéis dentro de casa. Técnicas de reprodução mudam o panorama da concepção e fertilidade. Casais gays vão sendo assimilados em termos sociais e jurídicos. Enfim, o próximo capítulo do feminismo será escrito no espaço privado?
Não tenho dúvida. O casamento já não é a instituição pesada de outros tempos. Sexo e procriação são processos dissociados, e tudo começou com o controle feminino da contracepção que, a meu ver, foi a grande revolução do século 20. Mas as desigualdades estão aí. O trabalho doméstico, incluindo cuidados com os filhos, ainda sobra para as mães. Vemos, com estupor, tantas mulheres agredidas. Cresce o número de famílias mantidas integralmente por mulheres empobrecidas. Nem a participação no espaço público nem mesmo a lei garantem que, dentro de casa, as coisas estejam resolvidas. Mudar práticas e costumes cotidianos é o mais difícil. Quero terminar citando o filósofo francês Charler Fourier, um socialista utópico do século 19. Ele dizia que a “casa” é o verdadeiro lugar do poder. E sonhava com um outro espaço, o Nouveau Monde Amoureux, título de um de seus livros. Francamente, este mundo ainda está por ser inventado.

http://www.youtube.com/watch?v=wFoMfoQSCh8



3 Comments:

  • At 7/01/2007, Anonymous Luísa L. said…

    Texto muito bom! A maioria das coisas, já sabia; mas foi interessante ler algo tão bem elaborado sobre o assunto.
    Beijos

     
  • At 5/06/2008, Blogger JESSICA said…

    BOM QUERIA ME COMUNICAR COM FEMINISTAS


    JESSICAROCKPUNK@HOTMAIL.COM

    ME ADD MAS SEM MINA FRESCA SEM ATITUDE

     
  • At 3/11/2009, Anonymous Anonymous said…

    Texto interessante,mas não entendi o porque destas fotos.Por que o feminismo tem que ser esteriotipado com garotas punks em poses agressivas e movimento pro-aborto(sempre como uma imposição,nunca como escolha)? Se eu me recusara abortar um filho meu e gostar de coisas "mimosas" não posso ser feminista? Sou "sem atitude e personalidade"?

    Eis aí mais uma "barreira" que deveria ser eliminada,para o que se chama de aceitação de "feminismos plurais": o respeito de escolha das mulheres nestes aspectos,também.

     

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