*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

VC LEU MICHEL FOUCAULT,NÃO?ENTÃO O QUE VC ESTÁ ESPERANDO FILHO DA PUTA?ELE É A CHAVE DA EVOLUÇÃO DOS HUMANOS.HISTORIA DA LOUCURA,NASCIMENTO DA CLINICA,AS PALAVRAS E AS COISAS,ARQUEOLOGIA DO SABER,A ORDEM DO DISCURSO,EU PIERRE RIVIÉRE,A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS,VIGIAR E PUNIR,HISTORIA DA SEXUALIDADE,EM DEFESA DA SOCIEDADE,OS ANORMAIS...EVOLUÇÃO OU MORTE!

Tuesday, September 04, 2007

Gilles Deleuze comparou-o michel foucault a um ‘novo Marx’, devido à sua forma revolucionária de entender o Poder.04/08/07

Abaixo seguem dois textos de Marcelo Bolshaw Gomes sobre Michel Foucault: Foucault segundo Deleuze, sistematizando os encontros entre os dois maiores pensadores do pós-modernismo francês; e O Príncipe e o Pastor, baseado no texto Dois ensaios sobre o sujeito e o poder, um dos últimos trabalhos de Foucault.http://www.youtube.com/watch?v=1kV4qrrVdEg

FOUCAULT SEGUNDO DELEUZE
O filósofo Gilles Deleuze, em uma de suas homenagens póstumas ao historiador Michel Foucault , comparou-o a um ‘novo Marx’, devido à sua forma revolucionária de entender o Poder. Para Deleuze, Foucault foi o principal teórico da contracultura, derrubando, em seu livro Vigiar e Punir, uma série dos postulados tradicionais do pensamento de esquerda. O Postulado da Propriedade, segundo o qual o poder seria ‘propriedade’ de uma classe que o teria conquistado. Para Foucault, o poder não é uma apropriação mas um conjunto de estratégias materializadas em práticas, técnicas e disciplinas diversas e dispersas. “Ele se exerce mais do que se possui, não é um privilégio adquirido ou conservado da classe dominante, mas o efeito de conjunto de suas posições estratégicas”.
O Postulado do Atributo, conforme o qual o poder teria uma essência e um atributo. Segundo Foucault, o poder não tem essência, é operatório; ele também não é um atributo, mas uma relação de forças que perpassa todo campo social, envolvendo dominadores e dominados.
O Postulado da Subordinação, pelo qual, o poder, encarnado no aparelho de estado, estaria subordinado a um modo de produção ou, em última instância, a uma infra-estrutura econômica. Para Foucault, o poder é diretamente ‘produção’, ele é imanente à produção social e não comporta nenhum tipo de unificação transcendente ou centralização globalizante.
O Postulado da Localização, que entende o Estado e a esfera pública como centro do poder. Foucault, ao contrário, vê o poder microfisicamente disperso em uma multiplicidade de disciplinas e de manobras táticas: o poder não nem global nem local, mas difuso infinitesimal.
O Postulado da Modalidade, de acordo com o qual, o poder agiria ora por coerção, ora por consenso. E em Foucault, o poder produz a verdade antes de mascará-la na ideologia; o poder produz a realidade antes de forçar o seu enquadramento através da violência.
O Postulado da Legalidade, pelo qual a lei é expressão contratual do poder. Para Foucault, a lei não é uma regra normativa para regulamentar a vida social em tempos de paz, mas a própria guerra das estratégias de uma determinada correlação de forças.


Bem vistas as coisas, esses postulados ainda são insuficientes para entender a importância da revolução metodológica proposta pelo pensamento foucaultiano se o confrontarmos com outras influências. Em relação a Freud, por exemplo, também podemos perceber a queda de pelo menos dois postulados tradicionais em A Vontade de Saber :
O Postulado do Recalcamento, segundo o qual a sociedade reprime os desejos e instintos dos indivíduos. Para Foucault, não existe repressão sexual, o que há é uma ‘interjeição’, onde o sexo é proibido e escondido apenas para ser incitado e incessantemente revelado. Ou seja: as categorias de ‘repressão/interdição’ são substituídas pela de ‘controle’.O Postulado Hermenêutico do Desejo, segundo o qual há, por detrás de qualquer ação humana, um sentido oculto a ser descoberto. Foucault rebela-se contra a confissão como ‘um critério de verdade’ e acredita que ela constitui uma estratégia do poder.Pensamos, porém, que a grande contribuição filosófica de Foucault se deve ao seu diálogo intelectual com Nietzsche, de onde também podemos extrair dois postulados epistemológicos - aparentemente contrários: O Postulado da Morte do Homem, enunciado nas últimas páginas de um de seus primeiros livros, As Palavras e as Coisas , quando Foucault, em uma analogia explícita à morte de Deus nietzschiana, rejeita a idéia tradicional de um sujeito cartesiano do conhecimento. O Postulado da Ressurreição de Si, enunciado na introdução dos seus últimos livros, O Uso dos Prazeres e O Cuidado de Si, em que Foucault estudará a formação de um ‘sujeito do desejo’ nos gregos e nos latinos.O tema de nascimento, morte e ressurreição do sujeito na filosofia ocidental volta a ser uma das principais discussões contemporâneas. Entretanto, são poucos os que vêem uma solução nesse processo de iniciação do social no simbólico. Para que se coloque a questão do ressurgimento do simbólico corretamente, sem confundi-la com o ‘retorno às superestruturas’ ou à subjetividade pré-científica é necessário entender como a trajetória geral do pensamento foucaultiano deu origem ao um 'Diagrama', isto é, ao conjunto simultâneo de fatores sobrepostos: o Saber, o Poder e o Si.Em seus primeiros trabalhos, Foucault irá se definir pelo método arqueológico e estudará prioritariamente o ‘saber’. Entretanto, este saber será sempre um duplo de uma determinada correlação de forças. Daí o primado do ‘dizer’ sobre o ‘ver’, dos enunciados sobre as formas não-discursivas, uma vez que a linguagem tem um sentido e este sentido é politicamente imposto. Assim, para desvendar o verdadeiro sentido deste saber duplicado seria necessário construir uma genealogia do poder. E este projeto foi iniciado em Vigiar e Punir. O aparecimento da instituição carcerária e do direito penal são o pano de fundo para a construção de uma analítica do poder. Tratava-se então da ‘emissão e distribuição de singularidades, dos vetores não estratificados que agem através do saber, vindos do lado de fora’. Já na conclusão de A Vontade de Saber, Foucault esboça pela primeira vez uma explicação geral de todo seu trabalho anterior. O manicômio, a clínica, o presídio e toda arqueologia descontínua das instituições se explicariam por uma mudança na forma através do qual o poder se exerce: do poder baseado na morte e na punição exemplar para o poder das punições simbólicas e administrativas. A cumplicidade involuntária de Foucault com o poder foi denunciada impiedosamente por Jean Baudrilard. Para ele, ao descrever o poder como algo que engloba todas as resistências, Foucault teria anulado qualquer possibilidade de mudança estrutural de nossa sociedade. E, nos últimos livros, mesmo sem responder diretamente, Foucault adota uma mudança importante: o ressurgimento da subjetividade, do ‘lado de dentro’, não como uma entidade cognoscente, mas como uma auto-referência diante do poder e dos seus duplos, os discursos. O Uso dos Prazeres e O Cuidado de Si, fariam parte de uma terceira e última etapa do filósofo, em que seu objeto não seria mais o saber ou o poder, mas a procura de um ‘lado de dentro’. Mas talvez, a trágica doença responsável pela morte do filósofo, seja também a causa de uma relação de afeto consigo mesmo, de uma auto-referência discursiva diante do poder. Foi a morte que despertou a consciência de Si.Deleuze sustentará que o Si no final da História da Sexualidade não é um retorno ao sujeito antropocêntrico do conhecimento assassinado em As Palavras e as Coisas, mas sim de uma evolução 'para dentro', uma 'dobra' que amplia ainda mais o campo de investigação foucaultiano da crítica política à autoreferência ética. Também podemos observar a evolução esta mudança ainda, amplificando o período entre o primeiro é o último volumes da História da Sexualidade, através do desenvolvimento de suas aulas anuais no College de France. Observa-se que, desde 76, Foucault começa a ampliar o campo de sua investigação, não só passando do estudo das instituições para sociedade como um conjunto, mas também, a partir dos anos 80, ampliando o período histórico de seus estudos e discutindo práticas éticas clássicas e latinas como formadoras de nossa concepção de verdade atual.


Tendo sempre a filosofia de Nietzsche como pano de fundo, houveram ainda vários encontros e participações entre os dois grandes pensadores franceses: o prefácio de Foucault ao Anti-Édipo, a conversa reproduzida na coletânea brasileira intitulada Microfísica do Poder. Porém, o grande encontro de Foucault com Deleuze é póstumo. No 'post-scriptum sobre as sociedades de controle', último capítulo do livro Conversações, Deleuze proclama o fim das instituições disciplinares e de confinamento estudadas por Foucault (a escola, a fábrica, o presídio, o hospital, o exército) e o aparecimento de novos dispositivos de controle 'em redes a céu aberto'. Para Deleuze, o regime de moratória ilimitada mais do que levar a culpa (e o ressentimento) dos indivíduos contemporâneos a um estatuto de responsabilidade social, vai estabelecer um novo tipo de funcionamento do poder, ainda mais introjetado e subliminar que a disciplina: o controle contínuo a partir de um sistema númerico de cifras e senhas. Mas, ao contrário de muitos ciberfanáticos atuais, Deleuze não considera a sociedade de controle globalizado melhor que as antigas sociedades disciplinares (embora haja avanços: o atendimento médico domiciliar deve ser melhor que o hospital, os serviços comunitários para delitos leves devem ser melhores que o encarceramento, a empresa e a participação nos lucros são melhores que a fábrica e o salário). Para ele, o importante é descobrir formas de resistência a este novo poder.Dos diversos tipos de retorno que a cibercultura contemporânea pode significar (retorno ao arcaico, ao tradicional, ao simbólico), o mais interessante e menos visível é o regresso a um ‘Uso temperante dos Prazeres’. Porém, enquanto para os gregos a idéia de temperança era prescritiva e não normativa, nossa relação compulsiva com o consumo é involuntária. Aliás, alguém uma vez definiu a condição pós-moderna como a proibição do consumo estimulado. Deveras, o mesmo que Foucault disse sobre a repressão ao sexo serve também para o consumo. Talvez com a liberação sexual da contracultura, e, mais recentemente a AIDS, o centro da correlação de forças tenha se deslocado da genitalidade para a oralidade. Na pós-contracultura, as ginásticas e as dietas voltam a desempenhar um papel central no cotidiano, as asceses e os regimes corporais se colocam novamente. Somos hipnosugestionados a consumir pelos meios de comunicação e proibidos de fazê-lo por diferentes níveis de autoridade.Relevante neste sentido, é a questão das drogas e da dependência química. A noção foucaultiana de ‘modo de sujeição’ nos sugere que o poder tornou-se mais bioquímico que microfísico e que a principal estratégia atual consiste, na produção hipócrita de uma sociedade de viciados. Álcool, nicotina, cafeína, açúcar, remédios, mas, sobretudo, ilusões. Eis a mais cara e menos proibida das drogas: a TV. Aliás, o consumo de imagem e som é a única coisa gratuita em nossa sociedade. Ele interage diretamente com o universo alimentar formando um conjunto de necessidades e, principalmente, mantendo o indivíduo em níveis cada vez mais altos de stress emocional. Após séculos de sujeição sexual imposta pelo cristianismo, os mecanismos de poder geram agora uma nova tecnologia de controle: as formas psicoquímicas de subjetivação do sentimento de morte. A dependência química e as redes telemáticas fazem parte de uma única estratégia.Hoje existem várias leituras da obra de Foucault valorizando seus diversos méritos históricos e metodológicos (a nova história de Paul Veyne, por exemplo), mas apenas a leitura deleuziana atualiza a abordagem de Foucault para vida contemporânea e seus problemas atuais (consumo, dependência química e psicológica, artificialização do corpo, etc). Ou seja - como profetizou o próprio Foucault: 'o século será deleuziano' .O Príncipe e o Pastor:É comum voltarmos a um mesmo objeto várias vezes para compreendermos melhor a nós mesmos. Por exemplo, comparando o resumo dos seminários no Collège de France de Michel Foucault aos seus derradeiros escritos , podemos dividir sua reflexão sobre o poder em três momentos distintos: o poder microfísico, expresso nos livros 'Vigiar e punir' (1975) e 'A vontade de saber' (1976); o biopoder, de 1977 a 1979, em que estuda os dispositivos de segurança e controle populacional, o 'governo dos outros'; e, finalmente, em 1984, o poder pastoral, ou 'o governo de si', em que repensa o poder à luz de uma visão mais ampla da subjetividade.


Na verdade, ao enunciar um 'poder pastoral', Foucault quis levar a crítica de Nietzsche à ideologia cristã às últimas conseqüências como um modelo de domesticação das almas pela ordem social. Mas esse não era o objetivo principal de Foucault; seu verdadeiro projeto era entender "o modo como um ser humano se transforma em sujeito". Sujeito, tanto no sentido de 'submetido a outro por controle e dependência', quanto no sentido de 'consciência, identidade de si'. As relações de poder (em conjunto com as relações de exploração e de produção de sentido) têm por objetivo transformar indivíduos em sujeitos, submetendo-os e subjugando-os a uma falsa imagem de deles próprios.Relações de poder, relações de comunicação, capacidades objetivas não devem ser confundidas. Isto não significa que se trata de três domínios separados; e que haveria de um lado o domínio das coisas, da técnica finalizada, do trabalho e da transformação do real; do outro, o dos signos, da comunicação, da reciprocidade e da fabricação do sentido; e enfim aquele da dominação dos meios de constrangimento, da desigualdade e da ação dos homens sobre os homens. Trata-se de três tipos de relações que, de fato, estão sempre imbricados uns nos outros, dão um apoio recíproco e se servem mutuamente de instrumento. O pôr em ação das capacidades objetivas, nas suas formas mais elementares, implica relações de comunicação (quer se trate de informação prévia ou trabalho partilhado); ele está também ligada às relações de poder (quer se trate de tarefas obrigatórias, de gestos impostos por uma tradição ou uma aprendizagem, de subdivisões ou repartição mais ou menos obrigatória do trabalho). As relações de comunicação implicam atividades com um fim (que seriam o pôr um jogo correto de elementos significantes) e devido ao simples fato de modificarem o campo informativo dos parceiros, eles induzem efeitos de poder. Quanto às relações de poder elas exercem-se numa parte extremamente importante, através da produção e troca de signos; e elas não podem também ser dissociadas das atividades com um fim, quer se trate daquelas que permitem exercer esse poder (técnicas de adestramento, os procedimentos de dominação, as maneiras de obter obediência) ou aquelas que fazem apelo para se desenvolverem às relações de poder (como na divisão do trabalho e na hierarquia das tarefas). Ao poder que se exerce sobre as coisas, Foucault chama 'capacidade'. Tanto as relações de comunicação como as de poder se exercem sobre os outros, mas essas últimas são invisíveis e silenciosas. E enquanto a história e a teoria econômica estudam as relações de produção e a lingüística e a semiótica, as relações de sentido; dificilmente se observa o poder em si mesmo. Em relação ao poder só podemos visualizar as relações de poder externamente, como uma 'racionalização' excessiva da vida social (como faz a Escola de Frankfurt com sua crítica ao iluminismo), ou indiretamente, através das formas e condutas de resistência a este poder (o louco, o delinqüente, o pervertido sexual). E é para escrever uma história do sujeito que Foucault irá detalhar esses confrontos de resistência entre as pessoas e essa 'racionalização excessiva' da sociedade.A princípio, Foucault imaginou identificar as origens desse poder 'da razão perversa' na história das instituições e práticas sociais dos últimos trezentos anos da Europa Ocidental, mas já no final da vida ampliou sua pesquisa até os gregos e as próprias origens do que nos faz sentir 'ocidentais': a distinção entre a "arte erótica" e "ciência sexual". Com o ideal ético de auto-governo da polis ateniense, da ilusão de que "só aqueles que se dominam podem dominar os outros", o mundo ocidental virtualizou sexualmente o poder de forma gradativa e irreversível até o advento da Inquisição cristã e da produção diabólica do inconsciente individual. Não podemos aqui remontar todo esse percurso, mas para explicar corretamente a idéia de 'poder pastoral' segundo Foucault, é necessário lembrar que o papel histórico que a ideologia cristã desempenha social e psicologicamente sobre os indivíduos apenas consolida e amplia tendências culturais mais antigas, vindas de comportamento sexual e alimentar ascético dos latinos (o cuidado de si) e dos helênicos (o uso temperante dos prazeres).Assim, antes de colocarmos a idéia do poder pastoral em questão, vejamos como Foucault define, em seus últimos escritos, o poder de um ponto de vista mais geral e quais são suas implicações estratégicas ...(O poder) É um conjunto de ações sobre ações possíveis: ele opera sobre o campo de possibilidades aonde se vêm inscrever o comportamento dos sujeitos atuantes: ele incita, ele induz, ele contorna, ele facilita ou torna mais difícil, ele alarga e limita, ele torna mais ou menos provável; no limite ele constrange ou impede completamente; mas ele é sempre uma maneira de agir sobre um ou sobre sujeitos atuantes, enquanto eles agem ou são susceptíveis de agir, Uma ação sobre ações. O termo 'conduta', com o seu equívoco, é talvez um dos que podem melhor mostrar o que há de específico nas relações de poder. A conduta é tanto o ato de conduzir os outros (segundo mecanismo de coerção mais ou menos estritos) como a maneira de se comportar num campo mais ou menos aberto de possibilidades. O exercício do poder consiste em 'conduzir as condutas' e gerir a probabilidade.
Porém, para não cair na intersubjetividade ou da ação social funcionalista, Foucault tomou o cuidado de definir também um certo número de pontos que uma análise das relações de poder deveriam levar em conta, fazendo com essa a conduta seja amplificada e escondida em mecanismos impessoais, dispositivos e estruturas de ordenação. Ou seja, para 'conduzir as condutas e gerir a probabilidade', cinco pontos devem ser levados em consideração: o sistema de diferenças, o tipo dos objetivos dos condutores de condutas, as modalidades instrumentais, as formas de institucionalização e os graus de racionalização.O sistema de diferenças - toda conduta opera com um sistema múltiplo de diferenças, causas e conseqüências das ações que se quer conduzir: diferenças jurídicas, tradicionais, econômicas, étnicas, culturais e psicológicas.
O tipo dos objetivos do poder - toda conduta implica em objetivos daqueles que agem sobre a ação dos outros: manutenção de privilégios, acumulação de lucros, desenvolver uma determinada função de controle ou produção.As modalidades instrumentais - conforme o poder seja exercido por ameaça de armas, pelos efeitos da palavra, por força da lei, através de controle econômico ou informacional, entre outras.As formas de institucionalização - o modo através do qual as condutas se perpetuam, que misturam diferentes dispositivos em cada casa específico, seja em relação a época e ao local como também em relação a natureza específica de cada organização disciplinar (escola, exército, igreja, etc). Os graus de racionalização - Para gerir a ação sobre ação no campo da probabilidade, é necessário que nossos próprios instrumentos e ambiente de atuação também se racionalizem. E a eficiência e a eficácia dos dispositivos decorrem diretamente de um certo nível de desenvolvimento tecnológico do exercício do poder, não apenas do ponto de vista estritamente burocrático, administrativo e governamental; mas sobretudo nos diferentes níveis em que a vida social se segmenta. Bem vistas essas questões gerais sobre o poder, passemos agora ao poder pastoral.SERVIR OU SER SERVIDO:Quando, nos primeiros versículos do décimo terceiro capítulo do Evangelho esotérico de João,Jesus lava os pés de seus discípulos, intaura-se uma nova forma de liderança e autoridade, uma nova conduta de poder, se constitui tanto do ponto de vista ideológico como no organizacional. Por isso, Foucault e os pensadores nietzschianos em geral dão tanta importância à crítica do cristianismo, porque ele representa uma nova conduta de poder, que, diferentemente da conduta do 'príncipe' maquiavélico não se baseia na força ou da ação sobre os corpos, mas sim na admoestação das almas e da subjetividade pelo espírito de rebanho.
As duas condutas, a do Príncipe e a do Pastor, rivalizaram e se completaram por muitos séculos. Durante toda primeira metade da Idade Média, enquanto os padres condenavam os pecados e perdoavam os pecadores, salvado-lhes as almas; os soberanos puniam os corpos dos criminosos. A tese de Foucault é que a partir do Estado Moderno, justamente quando separou-se juridicamente religião e política, a conduta pastoral extrapolou a organização eclesiástica, tornando-se um padrão e multiplicando-se em várias escalas: o pai pastor, o chefe pastor, o professor pastor, a polícia pastora, etc. Ou seja, que a partir de então, todo poder passou a se organizar tendo como objetivo o controle individual das almas. É que houve mudanças: ao invés da salvação em outro mundo, passou-se a prometer o bem-estar social, a utopia; mas a conduta manteve o mecanismo de confessar os corações pela chantagem emocional e pela culpa.Aquilo que é preciso entender por disciplinarização das sociedades depois do século XVIII na Europa, não é que os indivíduos que dela fazem parte se tornam cada vez mais obedientes; nem que eles se põem todos a uniformizar-se em casernas, escolas ou prisões; mas que aí se procure um ajustamento cada vez mais controlado - cada vez mais racional e econômico - entre as atividades produtivas, as redes de comunicação e o jogo das relações de poder.Esta é que a essência sobre o poder em Foucault: ele transcende a organização e é imanente à linguagem, para se reconhecer em um terceiro patamar, que na verdade é que determina as suas condições de existência: o das vontades de poder. É como se depois de 'pensar o biopoder microfísico' ter ensinado a Foucault quem ele era realmente (o novo sujeito), Foucault então repensasse o poder com aquilo que aprendeu, nos brindando com a noção de 'poder pastoral'. E da inversão desse último reencontro poderíamos dizer que ela apenas aproximou mais sujeito e objeto, como que em um abraço fraterno com o que se supunha apenas um duplo ou uma imagem no espelho: Foucault se libertou e não é mais um objeto do saber/poder que descreveu.




1 Comments:

  • At 5/24/2011, Blogger bruno said…

    Eu precisava das fontes que você consultou para postar este texto. Onde eu posso encontrar? E parabéns pelo Blog!

     

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