*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

VC LEU MICHEL FOUCAULT,NÃO?ENTÃO O QUE VC ESTÁ ESPERANDO FILHO DA PUTA?ELE É A CHAVE DA EVOLUÇÃO DOS HUMANOS.HISTORIA DA LOUCURA,NASCIMENTO DA CLINICA,AS PALAVRAS E AS COISAS,ARQUEOLOGIA DO SABER,A ORDEM DO DISCURSO,EU PIERRE RIVIÉRE,A VERDADE E AS FORMAS JURÍDICAS,VIGIAR E PUNIR,HISTORIA DA SEXUALIDADE,EM DEFESA DA SOCIEDADE,OS ANORMAIS...EVOLUÇÃO OU MORTE!

Tuesday, March 04, 2008

potencial brasileiro faz tremer as pernas do império.04/03/08

A investida da Vale para assumir o controle da Xstrata, sexta maior mineradora do mundo, ainda deverá se arrastar por algumas semanas, apesar da notícia veiculada na quarta-feira 27, de que as negociações haviam chegado a um impasse. Caso o acordo não saia, não terá sido por uma questão de preço, de acordo com executivos próximos à negociação. A Vale estaria disposta a elevar sua proposta a até 95 bilhões de dólares, como queria a Xstrata. Nessa hipótese, ganhará força a tese de que a intenção dos controladores da mineradora, representados pela Glencore, era na verdade assumir uma posição-chave no controle acionário da Vale que lhes permitisse tentar uma aquisição hostil da companhia mais adiante. Como a estratégia esbarrou na postura do governo federal, sócio da Vale e contrário à transferência do controle da empresa para estrangeiros, a saída que restou seria melar o negócio. Segundo o jornal inglês Financial Times, o recuo da corretora de commodities Glencore, dona de 35% da Xstrata, teria a ver com o fato de a Vale não ter concordado em manter os contratos que a corretora possui para a comercialização dos minerais extraídos pela empresa.
Apesar do termo de confidencialidade assinado pelos envolvidos, as negociações entre as duas empresas tornaram-se públicas nos últimos dias de 2007, quando vazou a informação de que oito bancos internacionais armavam um empréstimo de 50 bilhões de dólares para que a Vale comprasse a concorrente. Os acionistas da Xstrata levariam ainda outra bolada na operação: mais 30 bilhões de dólares, que seriam pagos em ações preferenciais da companhia brasileira. Caso a aquisição fosse fechada nesses termos, um detalhe jurídico abriria margem para que o controle da mineradora brasileira, hoje nas mãos do Bradesco, do fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil (Previ) e do BNDES, mudasse de mãos e passasse, inclusive, a investidores estrangeiros. Essa possibilidade existiria caso a empresa, que hoje bate sucessivos recordes de lucro, produção e exportação, tivesse prejuízo durante dois anos seguidos. Nesse caso, as ações preferenciais dos controladores da Glencore e seus sócios teriam direito a voto, assim como todas as demais ações preferenciais negociadas em Bolsa. Um investidor ou um grupo de investidores persistentes e, claro, endinheirados poderia comprar pouco a pouco essas ações, até chegar a controlar a empresa, numa tática bastante freqüente no mercado internacional. Da noite para o dia, a maior empresa exportadora de minério de ferro do mundo, hoje capaz de impor reajustes de até 70% para a indústria siderúrgica asiática, um de seus maiores clientes, deixaria de ser nacional. Seria a história do caçador que saiu para caçar e, quando se deu conta, tinha virado presa fácil.
A suspeita de que as intenções dos controladores da Xstrata iam além da mera venda ganhou força também por conta do passado nebuloso da Glencore, que nos últimos anos decidiu acelerar as aquisições de mineradoras de menor porte, de modo a ampliar sua atuação no mercado internacional. Fundada por Marc Rich em 1974, um empresário norte-americano que, em 2001, teve de fugir dos EUA para não ser preso por sonegação de impostos, a Glencore passou a ser conhecida pelos seus lances ousados. E pelo fato de seu fundador ter escapado da prisão por conta de um perdão concedido pelo ex-presidente Bill Clinton em seu último dia à frente da Casa Branca. A primeira versão do negócio entre a Vale e a Xstrata logo foi desautorizada pelo governo brasileiro, que veio a público informar que a compra em si poderia ser de fato um bom negócio para a empresa brasileira. A Xstrata concentra sua produção em outros tipos de minerais, como carvão, níquel, cobre e zinco, o que ampliaria o leque de atuação da companhia brasileira. Mas o aval do governo só sairia se fosse encontrada outra engenharia financeira e mantida a atual proporção entre as ações preferenciais, com vantagem na distribuição dos lucros em relação às ordinárias, as quais, por sua vez, têm o privilégio, nada desprezível, de dar direito a vagas no conselho da empresa. Isso poderia ser feito mediante a emissão de novas ações ordinárias.
Ainda não se sabe se a modelagem anterior foi de fato aventada pelos executivos que começaram a costurar o acordo. Oficialmente, a versão que chegou ao governo ia em outra direção. “Pelas características preliminares (do negócio) que nós vimos, é perfeitamente compatível com a preocupação do governo, correta, de salvaguardar o interesse nacional”, afirmou no início de fevereiro Luciano Coutinho, presidente do BNDES, em resposta à informação de que o governo não estaria de acordo com os rumos da negociação. Quando mencionou o “interesse nacional”, Coutinho referiu-se à intenção de manter o controle da Vale nas mãos dos atuais controladores brasileiros. O presidente do BNDES sempre foi um entusiasta da criação de megaempresas brasileiras com capacidade de disputar os mercados internacionais. Coutinho não só defende a expansão da Vale como participa ativamente da fusão entre a Brasil Telecom e a Oi. Os bastidores da queda-de-braço entre Glencore e Vale também contaram com a participação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de acordo com executivos próximos às negociações. Mantega encontrou-se ao menos duas vezes com representantes da Vale, da Xstrata e dos bancos dispostos a financiar a operação, dando o aval para seguirem em frente. Os encontros aconteceram em Nova York e Londres e serviram para tranqüilizar as partes envolvidas e reduzir o chamado “risco político” que um acerto dessa natureza poderia criar. Com um valor de mercado de cerca de 145 bilhões de dólares, a Vale passaria a ser a maior empresa de mineração do mundo. Seria, de longe, a maior empresa brasileira, com um valor de mercado de 220 bilhões de dólares. Hoje, a empresa disputa com a Petrobras a liderança nacional. Com a aquisição, a maior parcela dos ativos da Vale passaria a estar fora do País. É algo que incomoda o governo, defensor de mais investimentos da empresa no Brasil. No fim de janeiro, Lula e Roger Agnelli, presidente da Vale, jantaram no apartamento do executivo no Rio de Janeiro para tratar desses investimentos e “aparar arestas”. Após o encontro, o presidente da República afirmou que pretendia manter-se “neutro” em relação à compra da Xstrata. Logo que as negociações vieram à tona, também surgiu a informação de que o governo teria direito de simplesmente vetar a operação. As chamadas ações de classe especial (golden shares, conforme o jargão do mercado financeiro) que a União detém seriam suficientes para tanto. A informação não procede. Na verdade, a prerrogativa de veto do governo tem valor em casos de outra natureza, como em uma mudança do objeto social da empresa ou para a venda de jazidas e instalações, mas não no caso de aquisição de uma concorrente. Coincidentemente, no mesmo dia em que os jornais brasileiros repercutiam a notícia do FT, a Vale anunciava seus resultados relativos a 2007, quando a empresa obteve lucro de 11,8 bilhões de dólares, de longe o maior de sua história e muito acima do registrado em 2006 (6,5 bilhões de dólares). Para os analistas, a explicação para o desempenho está no crescimento da demanda por minério de ferro, puxada principalmente pelo consumo acelerado de siderúrgicas ligadas à indústria automobilística e construção civil em países como China e Índia. Apenas a China consumiu 18% da produção de 296 milhões de toneladas de minério de ferro produzidos pela Vale. Por conta do acordo com os compradores, a expectativa de faturamento da Vale neste ano cresceu 10 bilhões de dólares. Os reajustes no preço das commodities facilitaram o aumento da proposta pela Xstrata. O lance inicial foi próximo de 85 bilhões de dólares. Alguns fatores externos contribuem para tornar incertos os rumos da negociação. O interesse dos vendedores foi afetado pela negociação envolvendo a BHP Billiton e a Rio Tinto, outra gigante do setor de mineração. A Billiton chegou a oferecer 147 bilhões e a Rio Tinto parecia disposta a aceitar. Mas no meio do caminho apareceram investidores ligados à indústria siderúrgica, preocupados com o avanço da concentração no setor. Numa tentativa de interferir no acerto entre as duas, a estatal chinesa Chinalco e a norte-americana Alcoa compraram 12% do capital da Rio Tinto. “A estratégia chinesa é claramente a de bloquear a concentração do setor. Eles olham a fonte de matéria-prima como parte importante para assegurar os preços e isso traz uma velocidade aos negócios que não está na nossa alçada”, afirmou Coutinho. Questões relativas à concentração do setor de mineração também estão sendo avaliadas pelas agências antitruste européias e canadense, no caso da ofensiva da Vale. Há ainda uma análise sobre os navios e rotas marítimas utilizados pelas duas empresas em suas exportações, especialmente em relação ao acesso ao lucrativo mercado chinês. Apesar dos obstáculos, a Vale continua no páreo, com a bênção do governo.

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