*(LITERATURA CLANDESTINA REVOLUCIONÁRIA)*MICHEL FOUCAULT LIBERTE-ME.

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Tuesday, September 26, 2006

Um perfil do agronegócio na América Latina






Soja, eucalipto, tabaco, calçados... pesquisadores discutem as várias faces do agribusiness no continente para criar plano de resistência

Raquel Casiraghi, de Buenos Aires (Argentina)
Apesar de as economias e as culturas dos países latino-americanos serem distintas, o efeito destruidor do agronegócio é comum a todos. Argentinos, bolivianos, brasileiros, paraguaios e uruguaios traçaram um perfil deste modelo em seus países, a fim de encontrar as semelhanças e, assim, criar um plano de resistência em conjunto.
A constatação ganha coro: é necessário construir um novo modelo econômico e agrícola rapidamente, antes que os povos se tornem totalmente dependentes e o meio ambiente seja mais degradado.
Na Argentina, o agronegócio chegou em 1990, auge da globalização e momento em que o governo adotou o modelo como política de Estado alegando desenvolver a agricultura e a economia do país. A soja foi o produto de expansão do modelo, com a adesão rápida dos argentinos ao grão transgênico Roundup Ready (RR), de propriedade da Monsanto.
Atualmente, dos 17 milhões de hectares de sementes geneticamente modificadas plantadas no país, 15,5 milhões são de soja transgênica. Destas, 45% são do tipo RR, de patente da transnacional estadunidense.
Concentração no campoO engenheiro agrônomo Adolfo Boy relata que, somente entre os anos de 1990 a 2001, o agronegócio fez desaparecer mais de 100 mil pequenas empresas agropecuárias dos setores de leite, frutas, hortaliças e graos.
O efeito de um modelo agrícola exportador baseado na soja foi avassalador para a alimentação e a economia do país. A produção no campo da Argentina, que chegou a ser a maior produtora de mel do mundo, é voltada para a venda externa. É o caso da carne, frutas e hortalicas - produtos que são escassos para a população, cuja base alimentar é soja e massas.
No Brasil, a produção do agronegócio é mais variada, mas não menos destrutiva. Além da soja, o país é um dos maiores exportadores de carne bovina e de frango, de tabaco e de calçados de couro. Este modelo representa 33% do PIB (Produto Interno Bruto), sendo que a venda da soja é responsável por 42% do faturamento.
Camila Moreno, integrante da ONG Terra de Direitos, explica que as transnacionais, os latifundiários e a bancada ruralista (grupo de parlamentares do Congresso brasileiro ligados ao agronegócio) são os principais defensores e articuladores do modelo.
Agricultura familiarEsses grupos contrastam com os movimentos sociais camponeses, os quais historicamente resistem, desde a década de 1950, com a agricultura familiar. "Estes modelos não são complementares. No Brasil, provou-se que a existência do agronegócio depende do desaparecimento da agricultura familiar", analisa Camila.
A agricultura familiar no Brasil planta quase a totalidade dos alimentos consumidos pela população. Além de se voltar somente para a exportação, o agronegócio ainda conseguiu colocar em crise a cadeia familiar do leite, um dos produtos básicos da alimentação do país.
Camila conta que, com o apoio de governos neoliberais, transnacionais da rede de supermercados se expandiram e ganharam espaço para negociar preços de produtos agrícolas diretamente com os grandes produtores. O preço do leite pago ao produtor caiu drasticamente, o que afetou a agricultura familiar, que produz em menor quantidade do que o agronegócio. O modelo gerou alta concentração de terras.
A soja também é personagem principal do agronegócio no Paraguai e na Bolívia. Atualmente, a economia paraguaia é totalmente dependente da exportação do cereal, cuja produção gira em torno de 5 milhões de toneladas, tornando o país sexto produtor mundial do grão. No entanto, o Paraguai compra do Brasil e da Argentina 60% dos alimentos consumidos pela população.
AgrotóxicosOutra grande conseqüência deixada pelo modelo é a contaminação do solo, de rios e sobretudo das pessoas pelos agrotóxicos - químicos que, em sua maioria, são contrabandeados do Brasil. O uso destes aumentou com o plantio da soja transgênica no país, intoxicando principalmente crianças, que sofrem de problemas pulmonares e de pele. Na Bolívia, são os sojicultores brasileiros, aliados às transnacionais, que lideram o avanço do agronegócio atualmente. A pesquisadora Sorka Copa Romero relata que, como os brasileiros não podem pedir a liberação da soja transgênica no país por serem estrangeiros, empresas como a Monsanto reivindicam junto ao governo boliviano a liberação do plantio.
"Transnacionais e latifundiários estão juntos no agronegócio", afirma. As terras bolivianas são controladas por apenas 100 famílias, as quais possuem fortes laços com políticos. Celulose Destoando dos outros países, o agronegócio no Uruguai iniciou com o plantio industrial de pinus e de eucalipto para a produção de celulose. Incentivado e financiado pelo Banco Mundial na década de 70, o governo uruguaio recebeu diversos empreendimentos de transnacionais. "Com o florestamento, 35 mil camponeses deixaram o campo nos últimos 30 anos, gerando desemprego para cerca de 80 mil pessoas", analisa Alberto Villareal, do grupo ambientalista Redes. Hoje, a monocultura das árvores cresce na média de 70 mil hectares por ano.
No agronegócio uruguaio, a soja surgiu somente nos anos 2000. "Em 2004, a soja já cobria 300 mil hectares do território do Uruguai, sendo que em 2000 eram apenas 14 mil hectares", compara.

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Avanços na articulação contra o agronegócio

Organizações de sete países sul-americanos definem primeiros passos de uma ação conjunta na região para conter avanço do modelo produtivo

Raquel Casiraghi,de Buenos Aires (Argentina)Conseguir apontar meios de resistir ao agronegócio em meio à enorme diversidade que compõe os movimentos sociais latino-americanos. Esta foi uma das principais conquistas do Fórum Social de Resistência ao Agronegócio, que terminou neste domingo (25), em Buenos Aires, na Argentina. Cerca de 200 pessoas ligadas a organizações camponesas e ambientalistas da Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai discutiram, durante três dias, as características do agronegócio nos países latino-americanos, indicando formas de como fazer frente ao avanço devastador deste modelo produtivo.Maria Rita Reis, integrante da ONG brasileira Terra de Direitos, uma das
organizadoras do Fórum, acredita que este foi o primeiro passo dado em busca de uma integração de resistência ao modelo. Para ela, o fato de o encontro ter sido propositivo, indicando ações, reflete a maneira de como os povos estão articulados atualmente. "A gente fala que a América Latina é muito diversa, mas somente vemos que há grandes diferenças na prática. A construção de uma estratégia regional alternativo ao agronegócio depende de entender e respeitar as diferenças entre os povos e, ainda assim, conseguir uni-los. O que não é nada fácil", argumenta. A advogada analisa que as diversas formas de como a sociedade se organiza trazem, ao mesmo tempo, pluralidade e dificuldades. "A maior parte da resistência da sociedade civil da America Latina é estruturada em sindicatos, partidos e organizacões não-governamentais. Todas com dinâmicas diferentes dos movimentos sociais, que são fortes em alguns países, mas nem tanto em outros", relata. Processo contínuo
Esta foi a primeira edição do Fórum Social de Resistência ao Agronegócio, mas os participantes se comprometeram em dar continuidade, transformando-o em um espaço de articulação. No encontro, ficou encaminhado que cada país crie uma coordenação local para fortalecer as discussões sobre o assunto e criar redes de organizações, a fim de trazer propostas concretas para um próximo encontro em 2007. Também foi constatada a necessidade de formular material de formação sobre a problemática.Indicações que Javiera Rulli, do Grupo de Reflexao Rural GRR da Argentina, considera positivo, mas insuficiente. "Para o camponês, debater o agronegócio é importante, pois o problema sai da teoria e mostra como se desenvolve na prática, no seu cotidiano. No entanto, precisamos avançar para realmente conseguirmos criar alternativas", defende.

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